04/01/11

Fim

O Chançablog acabou.
Foram 5 anos bem passado. Tivemos altos e baixos. 
Mas foi um projecto conseguido.
Desta vez é mesmo o fim do Chançablog.
Chegou a hora de novos projectos.
Haverá novidades para breve.
Façam favor de ser felizes.

05/11/10

A Volta do Correio

Naquela altura qualquer coisa fazia as delícias da petizada.
A volta do correio era uma delas. Era uma epopeia diária que levava uma magote de cachopos atrás do carteiro pelas ruas da Chança.
Naquela época o carteiro era o Mestre Daniel.
Daniel da Graça Fernandes, carteiro, mecânico e vendedor de motas e bicicletas, caçador nas horas vagas. Grande contador de histórias. Era também o nosso herói numa aventura que começava na Rua de Abrantes e que palmilhava todas as ruas da Chança.
Com a sua bolsa de cabedal a tiracolo ia coleccionando cachopos ao longo do caminho.
Eu apanhava-o  na Praça. Descíamos pela Rua do Norte e tomávamos a direcção do Rossio. Dávamos a volta aos Baldios e regressávamos aos correios. A volta era tanto maior quanto maior fosse o volume de cartas.
As portas não tinha número. O Daniel conhecia todos os nomes.
Isso intrigava-me. Tornava-o uma espécie de super-herói com uma super-memória.
Outro dos seus poderes era atirar as cartas por baixo das portas. A carta batia no chão e deslizava rapidamente para o interior da habitação.
Eu cheguei a conseguir essa proeza.
Mas a cereja no topo do bolo vinha no fim da volta.
O Daniel tinha uma moto grande, preta (se não me engano era uma Honda, mas não posso garantir), de alta cilindrada.
Por vezes ele levava um de nós à Cunheira.
Era um passatempo de Verão. As féria grandes eram mesmo grandes, e davam para tanta coisa...
Bons tempos.

P.S. É inevitável voltar a falar nos Correios e no Mestre Daniel.
Até um dia destes.

03/11/10

O meu amigo Álvaro

O tempo vai passando e a nossa memória vai arquivando momentos, pormenores, pessoas que fizeram parte do nosso passado e que neste momento estão fechados em parte incerta do nosso subconsciente.
Nos últimos tempos tenho tentado fazer um exercício para trazer de volta alguns desses factos, dessas pessoas e histórias que permanecem adormecidos, inertes, e que por vezes aparecem, através de um cheiro, de uma conversa ou de um sonho.
Talvez esta memória tenha pouco significado para a maior parte das pessoas que possam ler este post.
No outro dia lembrei-me do meu amigo Álvaro.
Não me perguntem porquê.
Uma imagem, uma frase de um livro, não interessa...
O Álvaro era um cachopo que vinha passar as férias grandes a casa da avó.
Foi há mais de 30 anos, mas eu continuo a lembrar-me da miúdo.
Era neto da D. Hortense. Não me lembro do nome do avô, mas morreu por essa altura.
A casa da avó tinha um quintal que se enchia de cachopada na brincadeira.
Nunca conheci os pais dele. O pai era comunista e eu imaginava que devia estar escondido, ou preso ou outra coisa qualquer. Ele chamava-se Álvaro, como o Cunhal.
O meu avô chamava-lhe Álvaro Cassuto, como o Maestro.
A determinada altura o Álvaro deixou de aparecer. Durante anos não tive notícias dele. Entretanto a velhota morreu e com o passar dos anos esqueci que o Álvaro existia.

Passaram 10 anos.
Um dias bateram-me à porta e disseram-me: está ali um rapaz com o cabelo comprido à tua procura.
Um rapaz de longos cabelos louros que sorria para mim.
Era o Álvaro.
Passados uns instantes reconheci o sorriso da criança que conhecera outrora.
Tinha vindo a casa da avó e lembrara-se de perguntar por mim.
Tinha emigrado para a Russia. Lembramos os tempos de criança. E cada um seguiu o seu caminho.
Lembro-me, muito vagamente que havia uma fotografia com os amigos lá da rua.
Nessa foto estariamos nós, o Ricardo e o João Paulo (que Deus têm).
Nunca mais soube nada dele. Provavelmente continue na Russia. Ou talvez não.
Talvez ele possa ler isto onde esteja. Também já passaram mais de 20 anos desde a última vez que o vi. Talvez ele nem se lembre da Chança.
Ou talvez não.

16/08/10

(Também) Será Saudade? Deve ser Saudade! Só pode ser saud… não sei… 2ª Parte

Pois é… é aqui que tudo começa… 

O que é que um grupo de jovens “idiotas” (ou seja, daqueles cheios de ideias, em que elas fluem seguidinhas umas às outras), sem nada para fazer, sentados nos bancos do Rossio (na Chança, claro), onde, para piorar a coisa, estava um jovem Lisboeta que vinha sempre passar uns dias de férias à Chança, de Seu nome M…, e cuja voz se assemelhava à do Carlos Cruz, numa quinta-feira à noite, e com uma cabine telefónica ali tão perto??? 

Está-se mesmo a ver, …ou não? 

Condição “Sine qua non”: Sortear o numero de telefone do (in)feliz contemplado. 
Um dó-li-tá Chança, Cunheira.

… Cunheira, Claro!! (que sorte – nada tendenciosos). 

Por razões que não importam, alguém sabia um número de telefone de alguém. Na ausência de quaisquer outros, aquele servia na perfeição. Após alguns trriiins-trriiins, alguém atende. O pseudó-CC (Carlos Cruz) apresenta-se, e em nome do 1, 2, 3 e do “Cola Cao” informa que “a senhora foi a feliz contemplada com este magnífico automóvel”. Os restantes elementos do grupo, tal público entusiasta, entre gritos, palmas e assobios, desempenharam, na perfeição, o papel que se lhes exigia. Mas as pessoas são muito mal agradecidas. E a senhora lá foi dizendo que nunca enviou qualquer rótulo. O “programa está prestes a terminar”. Que desilusão. 

Mas a senhora lembrou-se que uma vizinha costumava enviar os ditos rótulo, e como não tinha telefone, costumava por o número dela. Até aqui não tinha sido referido, nem perguntado, qualquer nome. O Pseudo-CC perguntou se não podia falar, então, com a vizinha. A resposta foi: “ela mora um pouco longe daqui, num monte. Só se o meu marido a for buscar”. “E quanto tempo demora?” perguntou o CC. “Daqui por uma hora já cá está”. O CC, também. 

E uma hora depois, novo telefonema. Já havia vizinha. Depois de informada (um azar nunca vem só), a vizinha disse nunca ter enviado qualquer rótulo. Parecia brincadeira – Feitiço contra feiticeiro. “Quem costuma enviar são as minhas irmãs”. Até aqui nada de nomes. “Agora não sei se é da mais velha ou da mais nova”. CC pergunta: “Como Chama-se a mais Velha?” A vizinha lá foi dizendo o nome da mana (não recordo qual). Agora já havia um nome e CC afirma: “é mesmo essa” (caiu do céu). O CC estava a ser convincente. E o que dizer do público. Palmas, assobios, barulho. Magistral. Digno de filme de Hollywood. 

Afinal, as expectativas foram superadas, e a coisa chegou a patamares não delineados. Era verão. A fábrica do tomate, a Socindal (acho que era assim), laborava nessa altura e comportava trabalhadores de Chança e Cunheira, entre outros. Claro que a rivalidade levava os Cunheirenses a se gabarem com tamanha sorte do destino. 
Na Chança, no dia seguinte, já alguém tinha visto o carro, o dito carro, um Citroen BX de cor vermelha, passar para os lados da Cunheira. 
Depois, foi assunto muito badalado durante muito tempo, até que, suponho, ficou esquecido. 
Pelo menos até hoje. … um misto de culpabilidade e medo pairou nos tempos seguintes. Ainda, assim: “E tão Felizes que “nós” éramos”. 

Por Repórter Z

Se eu participei nisto??? Não sei… não me lembro…

15/08/10

(Também) Será Saudade? Deve ser Saudade! Só pode ser saud… não sei...

Decorria o ano de 1984 (talvez 1985, ou até mesmo 1986). Não posso precisar ao certo (da próxima vez escrevo no diário).

Nessa altura, aprendi a gostar de um senhor que, semanalmente, entrava em minha casa (e na vossa, também), salvo erro às 2ªs Feiras à noite. Não havia razão para não gostar, tanto mais que dava prémios. Podia ser que algum nos calhasse. A esperança, cada vez mais velha, seria, ainda assim, a última a morrer. Da “Casa Pia”, apenas sabíamos da Sua existência. Confesso que ainda hoje, alheio aos factos em Tribunal, gostaria de acreditar na inocência deste Homem (ou não tivesse aprendido a gostar dele), mas…

É isso mesmo!! Estou a falar (ou melhor, a escrever) do Carlos Cruz, o apresentador do programa 1, 2, 3. E do programa 1, 2, 3, claro. Como muitos se lembrarão, este concurso televisivo, onde participavam, salvo erro, três equipas de dois elementos (casais), e onde uma delas participava no jogo final. Os prémios eram dignos desse nome. Carros, apartamentos, electrodomésticos, etc.. Premiados podiam ser, também, os telespectadores. Neste programa, ou neste concurso – como queiram, a Nutrexpa (passo a publicidade) patrocinava uma parte do mesmo, publicitando um dos seus principais produtos – o “Cola Cao”. Nada mais simples, bastava descolar o rótulo de uma embalagem de “Cola Cao”, escrever no verso o nome, morada e número de telefone, e enviar para “Concurso 1, 2, 3 – Cola Cao – Apartado XXX – 1XXX – Lisboa” – o que eu escrevia nessa altura. Prémios, só mesmo umas pasta de arquivo com elástico, da Cola Cao”, que ainda hoje possuo. Mas o grande objectivo de tudo isto era ficar habilitado ao sorteio de um “magnífico automóvel”. Semanalmente era sorteado um automóvel (um citroen AX ou um Citroen BX), retirando de uma tômbola um envelope com o respectivo rótulo do Cola Cao. Se tudo estivesse ok, seguia-se o telefonema para dar a feliz novidade ao não menos feliz contemplado. Como o programa não era directo, o apresentador salientava sempre que o mesmo era gravado às 5 ªs Feiras à noite, para que todos estivessem atentos ao telefone. Pois é… é aqui que tudo começa…

(continua)

20/12/09

Será Saudade? Deve ser Saudade! Só pode ser Saudade…(finalmente...o fim)

Tenho Saudades … das Festas da Chança. Vão dizer que sou louco. Que não estou bom da cabeça, etc., e que a Chança continua a ter Festas. Pois, … mas eu tenho saudades mesmo é das Festas de antigamente. Aquelas Festas que se realizavam no Ringue. E que enchiam o Largo do Rossio de pessoas. Algumas não entravam (por diversas razões) mas ficavam por ali sentadas nos bancos, nas paredes, nas escadas, em amena cavaqueira, ao som da música de baile e até mesmo da actuação dos artistas. Não os viam, é certo, mas ouviam as suas vozes ao vivo. Lá dentro, tantas vezes com a lotação mais que esgotada (ainda não havia ASAE), amontoavam-se algumas centenas de pessoas, por entre mesas e cadeiras, e até de pé, junto do balcão das bebidas, da quermesse, ou onde quer que houvesse um buraquinho de onde se avistasse o palco. Conseguíamos concorrer com festas de peso, como Ponte de Sôr ou Aldeia da Mata, que eram no mesmo dia. Nunca nos faltou público. Dos artistas, recordo que sempre vinham dos mais conceituados. Nomes como Carlos Paião, Armando Gama, Marco Paulo, Carlos do Carmo, Dino Meira, Lara Li, Ana, Martinho da Vila, Anita Guerreiro, Gabriel Cardoso, e tantos outros se poderiam enumerar. Um deles era quase certo todos os anos. Vinha de borla, e era sempre muito desejado. Não fosse ele um artista da terra. Refiro-me ao Júlio César, que aqui se iniciou no pisar dos palcos, e que sempre voltou por prazer. Durante muitos e muitos anos, as Festas da Chança traziam, anualmente, muita alegria e diversão ao centro da Aldeia. Para que tudo isto fosse possível, a comissão de festas, formada por um grupo de pessoas ligadas à Terra, por vezes apenas por uma pessoa (caso da Maria Gertrudes), levavam a cabo algumas actividades para angariar uma primeira base financeira. Bailes durante o ano e o peditório da colcha pelas ruas, porta a porta, asseguravam um pé-de-meia. Depois cerca de uma semana antes começava a grande azáfama, preparar o recinto. Para além da comissão de festas, muita gente se juntava para dar uma ajuda. Montar o palco, montar o bar, montar a barraquinha da quermesse, dispor mesas e cadeiras e, principalmente, a vedação. Era preciso erguer postes de pau de 4 em 4 / 5 em 5 metros e pregar-lhe os panos. Tantos buracos se tinham que abrir com picareta e alavancas de ferro. Depois colocava-se o poste e enchia-se o buraco com pedras e terra, tudo bem apertado pela alavanca. Que trabalhão. Ainda ajudei muitas vezes nestas tarefas. E tudo se fazia. Havia que fazer até ao último instante, mas tudo estava pronto a tempo e horas. Saliente-se que o Largo do Rossio era de terra batida. Hoje o pavimento do ringue é todo uniforme, dança-se com certeza melhor. Hoje o ringue tem uma mini bancada com duas ou três filas o que permite acolher de forma mais digna aqueles que antigamente se sentavam numa simples parede. Hoje o ringue tem, por trás da baliza Norte, uma plataforma fixa nivelada, em cimento, onde facilmente se podem colocar estrados de madeira para o palco, evitando, assim, o recuso a cavaletes de madeira ou a bidões metálicos, muito mais difíceis de nivelar e muito menos seguros. Hoje o ringue tem uma vedação completa em rede metálica. Tão fácil que é proceder à vedação do recinto. Hoje o largo do rossio é todo calcetado, tem mais bancos, mais zona verde. Está mais acolhedor. Não consigo perceber o porquê de fazer as Festas da Chança no campo de futebol, em terra batida, com tanto pó, longe do centro e num local sem qualquer beleza. A não ser pela razões que descrevi anteriormente (dar uso a estas instalações – campo de futebol, balneários, holofotes e afins). Não admira, pois, que a sua qualidade e afluência tenha vindo a diminuir ao longo dos últimos anos. Pessoalmente, não acho piada, nem razão de ser. E o ringue? Para que serve? Algum dia mandam fazer uma redoma de vidro à volta e transformam-no em peça de museu. Assim, é certo, não se estraga. Se temos algo bom e não serve para nada, para quê ter? E depois, se a pintura do chão se riscar, pinta-se outra vez. Saliente-se que foi, talvez, a primeira vez que a Junta de Freguesia gastou alguma verba com esse recinto. Ironia das ironias, tudo, ou quase tudo, do que lá estava foi oferecido pelas mais diversas comissões de festas, que para ali canalizavam, todo ou em parte, o lucro das mesmas. Até a mão-de-obra, na sua maioria, não era paga. Tudo, ou quase tudo, foi feito pela mão de alguns populares. Por favor, devolvam as Festa da Chança ao local onde sempre pertenceram. Ao local que, mais do que qualquer outro, pertence ao povo de Chança. Devolvam alegria ao Largo do Rossio. Que tristeza, nos tempos de hoje, e em dia de Festa, passar pelo largo do Rossio e não ver “viva alma”. Dói o coração. Antigamente não era assim. E tão Felizes que Nós éramos…
Saudades, … destas e de outras!!! E Vós? Não tendes Saudades?
Sou apenas um pchardeco. Daqueles que o São com orgulho…
Por repórter Z.

18/12/09

Será Saudade? Deve ser Saudade! Só pode ser Saudade… (está quase...)

Tenho Saudades … era velhinha, bem sei, mas morreu. Morreu, há poucos anos, aquela que era um dos símbolos mais marcantes da nossa terra. Onde estarão hoje os restos “mortais” dela? Sempre que lá passo, parece que ainda a vejo. Mas já lá não está. A Nossa querida “Cascata” deu lugar a um simples mini lago, igual ou parecido a tantos outros. Talvez estivesse a precisar de um restauro. Os anos já pesavam. Mas não merecia ser trocada. Tal como nas Obras Públicas Nacionais, talvez aqui o poder local tenha arranjado maneira de dar mais uns trocos a algum empreiteiro (local ou não), que talvez tivesse pouco serviço. Juro que não sei quem fez a obra, pelo que não se trata de apontar o dedo a ninguém. Nas noites de conversa até fora de horas nos bancos do Rossio, envoltas num imenso silêncio, só de vez em quando quebrado pelo “estardalhaço” oriundo da velhinha Cascata, quando um dos cágados que lá habitavam, estando num patamar já avançado da sua subida, calculava mal o próximo passo e … lá vinha ele recomeçar a corrida do ponto zero (regras são regras). O barulho da sua carapaça a bater nas pedras que formavam aquela “torre” Cónica com pouco mais de dois metros de altura, embelezada pelo escorrer da água desde o topo até à base, e ornamentada por alguma vegetação que crescia por entre as pedras, dava origem a uma pausa nas conversas, algumas risadas e até apostas de qual a carapaça que se estatelou (o cágado maior? Ou qual dos outros?). Se não podemos viver sem a nossa Cascata???!! Podemos. Mas não é a mesma coisa. Coisas tão simples. E tão Felizes que Nós éramos… , RepórterZ

15/12/09

Será Saudade? Deve ser Saudade! Só pode ser Saudade… (Continua)

Tenho Saudades … do tempo em que, desde que o tempo o permitisse, lá esvamos nós, tantas vezes ainda pela hora do calor, a começar o nosso jogo da bola. Em tempo de aulas, era chegar, pousar os livros na parede do “Ringue”, formar uma equipa e comunicar às outras duas que também queríamos jogar. “Ok, começa agora. Acaba aos dois”. E nós cá de fora a rezar para haver golos depressa. Também estávamos ali para jogar. Hoje não sei se ainda se pode jogar à bola, até porque jogadores deve haver muito poucos. Voltando atrás, por volta das oito da noite, lá íamos todos jantar. Não podíamos demorar. O dever chamava-nos, e o reencontro estava já marcado. Nas férias, depois do jantar, a “jogatana” ia para além da meia-noite, tantas vezes até perto da uma da manhã. Pois é, no outro dia era dia de trabalho (pelo menos para alguns), mas também, naquela idade a malta aguentava bem. Nesse tempo a malta comia muito mais e ninguém engordava. Muitas calorias ficaram espalhadas naquele chão. Outras vezes era a “Menina Pimenta” (presidente da Junta) que queria a chave do quadro da luz. Também ela se queria deitar, e a Junta também não era rica e alguém tinha que pagar a luz. O pior era quando a “Pimenta”, por alguma razão, não estava. E tanta falta que aquela chave nos fazia. Havia ainda os torneiros organizados de futebol salão, que para além das equipas locais, trazia, nas noites quentes de Verão – 6ªs, Sábados e Domingos, equipas das redondezas e muitos apoiantes das mesmas. Hoje o “Ringue” tem melhores condições. É mais largo, tem vedação toda à volta, pavimento uniforme, e até uma mini bancada. Pois é, só falta mesmo haver futebol, ou outro qualquer desporto. Pelo menos temos um “polivalente” como novo. Quem sabe, talvez para museu. Sei o que digo. Lá voltaremos. Nós, ainda não tínhamos isto tudo. E tão felizes que Nós éramos…
Tenho Saudades … das conversas em noites frias de Outono (já referidas neste blog), mas também de todas as outras, em qualquer outra noite. Sabiam muito bem todas elas. Recordo com particular agrado aquelas em tempo de férias, após a “Menina Pimenta” levar a chave, e darmos por acabada a jogatana. Molhados que nem uns pintos, aproveitávamos para encher a barriga de água no repuxo, e ficarmos por ali, sentados nos bancos do Rossio a secar o suor (não era fácil convencer os pais que era normal tomar banho àquela hora), e a contar anedotas, ou a comentar o presente e a conjecturar o futuro daquela terra. Uma crítica não tem que ser destrutiva, e era isso que fazíamos, apenas crítica. Idealizávamos um futuro melhor para a Chança. Simultaneamente, sabíamos o que queríamos, mas também antevíamos a impossibilidade de o pôr em prática. Tínhamos a noção que, dificilmente, o nosso futuro seria ali. Com tantas incertezas, e com a quase certeza que nada poderíamos fazer. E tão Felizes que Nós éramos…, por RepórterZ

Será Saudade? Deve ser Saudade! Só pode ser Saudade… (Continua)

Tenho Saudades … do tempo em que a TV (RTP 1 e RTP 2 – as únicas nesse tempo) não transmitiam futebol 24 horas por dia. Era muito raro ver-se um jogo em directo, pelo que, quando acontecia, era um “acontecimento”. Nessa altura, nem todos tinham televisão a cores. Mais uma razão para ir até ao café (ao da junta, principalmente) ver o futebol com os amigos – e sempre se via a cores. Quer fosse de confrontos Nacionais, em que cada um puxava a brasa à sua sardinha (clube), quer fossem jogos da Selecção Nacional, onde todos gritavam ao mesmo tempo e para o mesmo lado, a emoção já mais faltava naquela hora e meia. No final, nem sempre feliz para alguns, lá se discutiam os lances polémicos, e se diversificavam as opiniões. Mas uma coisa era certa, após uma mini ou duas, e tantas vezes uma “jogatana” de Snooker ou Bilhar, lá estávamos nós a suspirar pela próxima vez. E tão Felizes que Nós éramos…, por RepórterZ

12/12/09

Será Saudade? Deve ser Saudade! Só pode ser Saudade…(2ª parte)

Tenho Saudades … das tardes de domingo em que era quase obrigatória a romaria até às traseiras do cemitério. Não estão a ver o porquê, claro. Se bem se lembram, era lá que se situava o antigo campo de futebol. E a Chança, nessa altura, tinha uma Equipa. Tínhamos um excelente “ervado”, capaz de fazer inveja a alguns relvados. Pena era que ficava longe da “Vila” e até os jogadores tinham que vir tomar banho à Casa do Povo. Mas arrastava uma pequena multidão, e era ver no final do jogo cada um a procurar uma boleia, ou simplesmente vir pendurado na “rabeira de uma camioneta ou de um reboque de tractor. Pois é… é que vir para cima custava mais, e o fôlego já se tinha esgotado a chamar nomes (feios) ao árbitro. Só anos mais tarde transformaram a “eira do cabeço” no novo e actual campo de futebol. Pelado, é certo, mas logo ali ao lado do bairro novo. Ainda por cima com boas instalações balneares. Só não tinha iluminação artificial, o que impossibilitava treinos à noite. Como os jogadores (os da Chança e os de fora que lá jogavam) trabalhavam durante o dia, só se encontravam mesmo ao domingo para jogar. Com treinos, acho que podíamos ter tido outros resultados. Agora que falo (escrevo) nisto, lembro-me que já temos iluminação artificial no campo de futebol. Lá estão os postes com os tão, outrora, desejados holofotes. Pena que quando foram instalados já não havia futebol. Se calhar por isso, a obrigatoriedade de realizar lá outros eventos. Festas, por exemplo. Assim, sempre lhe dão uso e testam o equipamento. Mas disto falo mais à frente… E tão Felizes que Nós éramos…, por RepórterZ.

A propósito desta primeira intervenção do Repórter Z

A Escola Primária é um marco nas nossas vidas. Assim como a maioria das pessoas, as primeiras recordações que tenho como pessoa, são da Escola Primária. Sejam boas ou sejam más.
No nosso caso, como Chancences, essas recordações remetem-nos para um edifício, para um grupo de amigos ou para um tempo que já não volta. 
Assim como a minha geração recorda a actual escola apenas com três salas, o gradeamento de cimento meio caído, as palmeira recém plantadas, a construção das caixas de areia, os passeios furtivos ao Ribeiro do Caneirão, as primeiras paixões... Os nossos pais recordam certamente, a escola velha, meninos para um lado e meninas para o outro, o exame da 4ª Classe em Alter do Chão, por aí fora. 
Será sempre um exercício individual que nos trás alguma nostalgia e que faria certamente ficar por aqui algumas horas na conversa.


Queria apenas deixar aqui uma palavra de agradecimento muito especial à professora Maria Ana, que o Repórter Z mencionou. 
Foi a minha primeira professora e tive a sorte de a voltar a ter na 3ª Classe. 
Era bonita, simpática, com voz doce e um sorriso sempre nos lábios. 
Era do Crato onde talvez ainda more. Ficava na casa do Dr. Fortes durante a semana, onde actualmente mora a Pimenta. Mais tarde encontrava-a, algumas vezes, na camioneta entre o Crato e Portalegre. 
Obrigado por tudo professora Maria Ana.

09/12/09

Será Saudade? Deve ser Saudade! Só pode ser Saudade… por Repórter Z

Tenho Saudades … da escola primária (a de há 30 e tal anos atrás). 
Já não sou do tempo da “escola velha” (actualmente o edifício da Junta), nem fui dos primeiros da nova, mas recordo com saudade aquela escola com rés-do-chão e primeiro andar do lado da “Casa de Bragança”, onde funcionavam as duas salas de aulas. 
Do lado da “Vila”, só existia rés-do-chão, sala que funcionava como armazém de carteira (para quem não sabe, era o nome que se dava ao monobloco de secretária inclinada e banco corrido onde se sentavam dois alunos – colegas de carteira) e refeitório (tenho uma vaga ideia que alguns alunos lá almoçavam – principalmente os da estação, que levavam “farnel”). Relembro aquelas palmeiras, que nessa altura tinham pouca altura, onde as folhas saiam ainda do chão. Ainda não tinham tronco, também elas eram novinhas “em folha”. Relembro o pau (ferro) da bandeira onde fazíamos disputas para ver quem conseguia trepar mais alto. 
Relembro o tradicional gradeamento de cimento que caracterizava todas as escolas, onde todos aprendíamos a saltar “à Toureiro” e onde começámos a treinar o nosso equilíbrio, caminhando sobre ele. 
Leccionavam, nessa altura, os professores da Chança (não havia as mudanças dos tempos actuais), D. Maria Ana Cruz Cordeiro (excelente pessoa e professora), e o professor António Jorge Grilo Eusébio, o qual tive a sorte, ou a felicidade, por nunca ter sido meu professor. Aquela que usava e abusava da régua – Marí Balbina, como era conhecida – e que chegou a partir a cana na cabeça dos alunos (outros tempos, se fosse hoje…). E tão Felizes que Nós éramos… 


(continua...)

08/12/09

Repórter Z

Hoje fui contactado, via email, por um novo colaborador.
Auto-denominou-se Repórter Z.
O conteúdo da mensagem foi um longo texto e nostálgico, como se está a revelar a minha geração. 
Como disse o texto é muito longo e como tal, vou publicá-lo por capítulos. Isto é, vou dividi-lo em três parte. 
Obrigado Repórter Z.
Manda mais que a malta agradece.

Finalmente fui à Chança.

Finalmente fui à Chança. 
Estava uma bocadinho de frio. Mas aquele frio que tenho saudades. Um frio que se sente nos ossos. 
Sabe-me bem vestir dois casacos ou uma camisola interior sem sentir calor logo a seguir.
Com um fim-de-semana de chuva consegui ver um bocadinho de Sol.
Os campos estão verdes. Bonitos. 
Foi tudo muito rápido mas encheu-me os pulmões. E a alma.
............................................................................................................
A principal novidade: já começaram as obras na variante à Ponte Vila Formosa. 
Foi passeio obrigatório. 
É verdade que me chocou a alteração à paisagem que estava habituado há tantos anos. Mas quero acreditar que só agora começou o futuro da velha ponte.
Espero vê-la como património nacional, que é. Com dignidade. 
Seja bem vinda ponte nova. Obrigado ponte velha. 

05/12/09

Este mundo é realmente muito pequeno.

Este mundo é realmente muito pequeno. 
Por muitas vezes ouvimos esta expressão, quando encontramos alguém que não estávamos à espera, ou num lugar pouco provável. 
Também usamos esta expressão quando conhecemos alguém que conhece alguém que que por sua vez conhecia alguém que eventualmente se terá relacionado com uma pessoa que conhecemos ou com alguém que nós conhecemos por sua vez conhece. Com este método, conseguimos, realmente unir um mundo inteiro. 
Mas há outras situações que a única coisa que nos saí da boca é:
- Este mundo é mesmo muito pequeno!
.............................................................................................................
A noite passada aconteceu uma dessas situações.
Normalmente quando falo da Chança, falo com a convicção de que ninguém  saiba do que estou a falar (a não ser os meus amigos que já estão habituados a que eu me refira à minha terra pelo nome). 
Mas no noite passada aconteceu algo de estranho. Eu disse: "Vou à Chança este fim-de-semana" e uma colega de trabalho disse "Você é da Chança?". Ao que eu respondi "Sim!? Porquê? Você conhece???"
Não é que a rapariga não só conhecia a Chança, como já tinha passado férias em casa de umas pessoas conhecidas, isto há uns anos. 
- Se calhar até brincamos juntos - brinquei. 
Mas talvez não estarei muito longe da verdade. 
Depois não tive oportunidade de apurar quem eram as pessoas amigas que viviam na Chança. Ela só me disse que eram em casa do Sr. Manel.
Prometo que investigarei este caso. 
Talvez a moça até tenha partido alguns corações e algum Pchadeco ainda sonhe com ela.
Este mundo é realmente muito pequeno.

25/11/09

Grandes conversas em noites frias de Outono

As noites de Verão eram passadas nos bancos do Rossio, ou a jogar à bola, ou metidos em aventuras mais ou menos interessantes.
Mas quando chegava o Outono, as noites ainda eram maiores, o que possibilitava conversas mais longas, já com a garganta a picar e os pés a arrefecer dentro das botas. 
Falávamos de muita coisa, desde o mais aceso debate de futebol, ao mais metafísico assunto sobre a origem do Universo. A vida extraterrestre, os professores e as colegas de escola, esoterismo, religião tudo era possível em conversas fora de horas. E no outro dia era dia de escola e a camioneta era imperativamente às 7. 

Hoje recebi um telefonema de um amigo que não vejo à já muito tempo. 
Em 5 minutos de conversas, recordei aquelas noites frias e grande conversas sobre o nosso mundo. 
O mundo agora está diferente. Diferente porque mudou. Diferente porque nós mudamos. 
Mas o sentido daquelas conversas permanece intacto. Naquela altura era tudo muito nítido. Ou era preto ou era branco. Gostava de ter tantas certezas hoje como tinha naquela altura. 

Desculpem lá o desabafo.

Mas é bom recordar velhos amigos.   

10/11/09

XXVI Festa do Castanheiro/ Feira da Castanha em Marvão

Agenda:

Dia 14 e 15 de Novembro

XXVI Festa do Castanheiro/ Feira da Castanha em Marvão

Um acontecimento com mais de um quarto de século, que atrai milhares de visitantes à bela Vila de Marvão.
Castanhas assadas e vinho da região são as principais atracções. 
Podemos também encontrar mais de 80 expositores com o artesanato da região.



13ª Festival Internacional BP Gás Balões de Ar Quente

Agenda:

Continua até ao próximo dia 15, o 13ª Festival Internacional BP Gás Balões de Ar Quente em Alter do Chão e Fronteira. Balões de todas as cores vão cobrir os céus alentejanos e por toda a gente de olhar para o ar.



                                                                                                      
          

09/11/09

Notícias de última hora: Queda de paramotor em Alter do Chão.

Segundo informações avançadas pela agência Lusa, ocorreu esta manhã um acidente na localidade de Alter do Chão com a queda de um paramotor, causando dois feridos.

O aparelho perdeu o controlo na descolagem e ficou preso num poste de electricidade provocando uma queda de cerca de 3 metros.

As vítimas são um casal de jornalista de nacionalidade francesa que estava no local para fazer um reportagem fotográfica sobre o 13º Festival Internacional BP de Balões de Ar Quente a decorrer de hoje até ao próximo dia 14 de Novembro nas localidades de Alter do Chão e Fronteira.

Fonte Lusa