04/12/05

Descubra as diferenças

Estas duas imagens têm algumas diferenças. Consegue identifica-las?

Descubras as diferenças Posted by Picasa

26/11/05

Grupo Cénico Pró-Luz

Para nós, a luz eléctrica existe! Pronto!
È uma realidade que não se questiona.
Carrega-se no botão e plim... luz.
Ninguem agradece ao Sr. Thomas Edison o facto de ter inventado a lâmpada, no acto de ligar o interrupor.
Assim como, pouca gente na Chança se lembra do Grupo Cénico Pró-Luz quando liga a televisão, liga o rádio para ouvir o relato da bola, dá carga ao telemóvel, vai á casa de banho, não faz as necessidades ás escuras, etc, etc, etc...
Em meados do século passado não havia luz eléctrica na Chança.
Então, uma grupo de teatro amador decidiu angariar fundo para ajudar a trazer a luz eléctrica à nossa terra.
Foi sem duvida um marco importante na história da cultura da nossa terra, tanto que, com maior ou menor dificuldade, o objectivo foi conseguido.
Eu diria que essa época foi o apogeu dum periodo em que a cultura fervilhava na nossa terra. Grupos de teatro, agrupamentos musicais, poetas.
Actualmente esse cenário seria impossível de imaginar, mas o contexto è sem duvida diferente.
De referir ainda que foi nesse grupo de teatro que o nosso conterrâneo Júlio César deu os primeiros passos como actor.

Grupo Cénico Pró-Luz

25/11/05

Reporter X

Em primeiro lugar, quero agradecer a todos os visitantes as vossas muitas visitas. E apesar de não ser possível manter este blog actualizado tanto quanto seria desejado, muitos de vós mantêm a fidelidade.
Agradeço, também, a todos os que contribuiram com correcções e mensagens de apoio com os vossos comentários.
Quero também anunciar que tenho um colaborador novo.
Vou chamar-lhe Reporter X, e o seu objectivo é a recolha de outras estórias.
Para começar enviou mais uma foto do ex-líbris da nossa terra.
Ficamos a espera de muito mais. E mais uma vez faço um apelo a todos os p´chardecos para enviarem as vossas estórias se acharem que elas mereçem ser publicadas.


Ponte de Vila Formosa
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Foto by Reporter X

08/10/05

Pequenos encantos 3

De muitos encantos se faz a Vila de Chança.
Janelas, portas, ruas, esquinas, árvores, flores.
Esta janela é mais um exemplo do muito que esta pequena vila tem para ver.


Janela
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Do céu

Vista do céu a nossa Chança ainda parece mais bonita.

Vista aérea
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27/09/05

O edifício mais alto da Chança

Numa terra branca, com casas térreas, ergue-se um prédio de dois andares, com uma fachada coberta de azulejos azuis com florzinhas amarelas domina a vista da parte antiga da Vila de Chança.
No início do século passado, funcionava no r/c uma sociedade onde conviviam os senhores ricos da terra.
Situado na rua dos Chambéis, nome de família ilustre da terra, os seus tempos de glória já passaram, mas ficou a sua figura elegante e a sua bela fachada de azulejos.

P.S. Ah! Foi nessa casa que eu nasci.


Azulejos
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24/09/05

1 de Julho de 1518

No primeiro dia do sétimo mês do ano do Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e dezoito, D. Manuel I, concedeu o foral de Vila ao lugar de Chancelaria.
Dependia da provedoria de Portalegre e da ouvidoria de Vila Viçosa, e tinha como superintendente para a alçada civil e criminal um capitão-mor, que comandava um corpo de tropas, formadas por soldados de guerra que eram alistados, exercitados e armados pelo concelho, e que tinham por obrigação defender as suas terras. Tinha também dois juizes ordinários, três vereadores e escrivães.
Os Paços do Concelho funcionavam num edificio perto da Praça, no qual também funcionava a cadeia (foto em baixo).
O Concelho de Chancelaria estava sob a jurisdição de Abrantes desde 1379 e foi posteriormente confirmado pelo Mestre de Aviz.
No ínicio do séc. XVIII pertencia á comarca de Vila Viçosa e a 6 de Novembro de 1836, após várias alterações da jurisdição administrativa, foi posta em execução uma nova circuncrição administrativa, que previa a 3 distritos para o Alentejo e extinguia Concelho de Chancelaria, colocando-a sob a alçada judicial de Fronteira e administrativamente de Alter do Chão, em cujo municipio ficava integrada como freguesia.


Paços do Concelho
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21/09/05

Pequenos encantos 2

Ouvi dizer que é a casa mais antiga da Chança.
Pela localização não devem andar muito longe da verdade.
Está em ruínas, mas tem uma fachada fantástica.
O promenor da flor ilustrada em baixo é deliciosa.
Em tempos a Junta de Freguesia tentou comprar-la para lhe devolver alguma dignidade.
Pena que não tenham conseguido.
Por favor, voltem a tentar.

Pormenor da casa mais antiga da Chança
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Pequenos encantos

Caminhando pela Chança e olhando com olhos de ver, encontramos muitos recantos e pequenos encantos que nos fazem gostar ainda mais da nossa terra.
Muitas vezes passamos por lugares que de tão familiares passam despercebidos á nossa atenção.
São pequenos encantos que a nossa terra tem para mostrar e nos encantar.


Paralelos
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Outono

Chegou o Outono.
Adoro a variedades de tons de castanhos.
Gosto das primeiras chuvas.
O cheiro da terra molhada.
O som do crepitar das folhas secas ao serem pisadas.
Começar a vestir casacos á noite.
As castanhas, os marmelos, as bolotas.
As compotas, as comidas quentes.
A feira da Ponte. O regresso ás aulas.
Viva o Outono!

Outono
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17/09/05

Pires de moelas

O Verão está nas últimas.
Há folhas secas no chão e começa a cheirar a terra molhada.
Vamos aproveitar as últimas tardes de calor e beber uma bela imperial e um saboroso pires de moelas.

Moelas
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15/09/05

Publicidade

No início deste verão, houve na nossa terra um torneio de Futsal, ao qual não tive oportunidade de assistir.
Soube há pouco tem que tinha uma página de divulgação na internet.
ProDesporto(www.prodesporto.com), é assim que se chama o espaço, além de divulgar o dito torneio, faz publicidade aos estabelecimentos comerciais que patrocinaram o evento.
É de saudar a iniciativa, levando a todo o ciberespaço o que a nossa terra tem para oferecer.

No entanto, não é uma situação inédita divulgar á escala nacional, os nossos produtos e serviços.
Já no século passado, durante os anos 30, no Tomo III do Album Alentejano, referente ao Distrito de Portalegre, aparecia a página abaixo, publicitando o comércio e a industria existentes na nossa Chança.


Publicidade
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12/09/05

O talefe

Os telafes sempre me intrigaram desde os tempos da minha infância.
O meu avô dizia que de perto de um deveria avistar-se sete. Eu nunca consegui avistar nenhum mas sempre achei que deveria existir algum fundo de verdade nessa história.
Esta foto mostra o marco geodésico mais próximo da vila de Chança, num lugar que dá pelo nome de Monte do Vento.
Segundo histórias que ouvi aos mais antigos este lugar também é conhecido por Moinho de Vento. Será mais uma lenda, mais uma informação distorcida, ou será que em tempos no lugar conhecido por Monte do Vento existiu realmente um moinho?


Talefe
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11/09/05

Azulejos

Sempre ouvi dizer que os azulejos que estava nas paredes da igreja de Chança, eram muito antigos e valiosos.
Ao que parece estes azulejos provenieram duma outra igreja que já desapareceu. Pensa-se que fossem da extinta capela de Santa Luzia que se situava nas imediações da ponte de Vila Formosa.
As semelhanças dos nossos azulejos com os azulejos hispano-mouriscos importados de Sevilha no início do séc.XVI, leva a crer que a origem seja a mesma.
Assim estamos perante azulejos de origem islâmica, produzido em Sevilha no séc.XVI, que revestiriam uma capela já extinta.


Azulejos
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Chançences, estamos de volta

Após de mais de dois meses de pausa, estamos de volta com mais histórias da nossa terra.
Agradacia a quem nos lê, que possa contribuir com material novo.
Façam comentários ou enviem-nos histórias ou fotos para olsec@portugalmail.pt.
Estejam atentos que o blog da Chança ainda reserva muitas surpresas.

28/06/05

Falar de jogos tradicionais é relembrar a nossa juventude. Não é que eu me considere um velho, que só me lembro de coisas do Arco da Velha. Mas nas últimas décadas as coisas tem mudado tão rapidamente que falar no Jogo do Eixo ou no Pião ou no Berlinde é falar de peças de museu.
Esse museu situa-se nas nossas cabeças, arrumados na estante das lembranças.
Nessa estante existe uma prateleira que deve estar bem acessível pois é nela que nós guardamos todas as recordações que dizem respeito ás brincadeiras. No dia que nos esquecer-mos dessa prateleira deixamos de ser criança e então estamos tramados.
Muitos já se esqueceram, mas lá no fundo basta uma conversa com "rapazes do nosso tempo" para fazer nascer a criança que temos dentro de nós, salvo seja.

Na nossa terra jogava-se um jogo que hoje pouco se ouve falar. À dias, vi na televisão uma reportagem sobre uma qualquer aldeia do Baixo Alentejo que se jogava "À pata". Lembram-se? Afiava-se um pau com dois bicos, batia-se numa das pontas, o pau subia, e qual batedor do basebol americano, batiamos no pau para o mais longe que conseguisse-mos. Já não me lembro das restantes regras, mas o que interessa é que não nos esquecamos desses tempos.

Hoje li um livro infantil que falava dos homens cinzentos que vinham roubar os objectos das nossas memórias. Só as crianças conseguiam que eles fossem embora. Espero que a criança que está em nós possa correr com os homens cinzentos que levam o nosso passado.


22/06/05

Sabores de Verão - Tomatada

Há comidas que só apetecem no Verão.
Muitas delas porque são frescas, outras porque usam produtos da época.
A tomatada é quente. E hoje em dia existem tomates todo o ano.
De qualquer maneira comi hoje a primeira tomatada deste ano.
Muitas outras se seguirão, eu espero.
Apesar de se fazerem tomatadas com frango e até com bacalhau a minha preferida é com ovos escalfados.
Aqui vai a receita. Bom apetite.

Tomatada (com ovos escalfados)

2 Kg de tomates bem maduros
1 chouriço alentejano (de preferencia da Chança)
1 pimento
1 cebola
1 folha de louro
azeite
sal
ovos

Escaldam-se os tomates e pelam-se. Cortam-se em cubos pequenos.
Corta-se o pimento em pedaços do mesmo tamanho.
Frita-se o chouriço ás rodelas num pouco de azeite. Depois de frito retira-se o chouriço e reserva-se.
Nesse azeite refoga-se a cebola com a folha de louro. Depois de alourada junta-se o tomate e o pimento.
Depois de refogado prova-se de sal e se o tomate for muito ácido pode-se juntar uma colher de sopa de açucar.
Quando estiver quase pronto abrem-se os ovos lá para dentro e aguarda-se mais 10 minutos.
O chouriço pode ser colocado em cima para adornar ou servido á parte.



Tomates

21/06/05

Verão

Começou hoje o Verão.
Imagino o calor que está na Chança.
Mas o mais incrível é que sinto falta daquele sofoco.
Sinto aquele calor como purificador. Destilam-se todos os males.
Mas dois dias é suficiente, e o nosso corpo habitua-se a outros climas tornando-nos menos resistentes.


No Verão

No Verão
a reverbação do calor
faz ondular a linha do horizonte.
As cigarras
são companheiras de quem passa
elas cantam
cantam até à exaustão.
O seu canto
é o outro lado do silêncio

Para cantar assim
também eu morreria
trespassado de luz
e solidão

Manuel Silva Terra


19/06/05

Cinema Paraíso

Dois nomes incontornáveis na divulgação da cultura na nossa terra foram o Araujo e Sr. Paixão.
Eles foram os responsáveis por trazer a magia do cinema á freguesia de Chancelaria.
"Cowboyadas" e filmes de "Karaté" eram os preferidos.
As sessões realizavam-se na Casa do Povo, numa sala improvisada com cadeiras de pau e em que a projecção se fazia numa parede branca adornada com pregos e por vezes com alguns enfeites que ficaram do último baile.
Mas nada disso interessava. As bobines rolavam, o altifalante velho e roufenho fazia soar o início da projecção. As luzes apagavam-se (essa terefa estava a cargo do Rui, o Cuco). Os cachopos sentavam-se na fila da frente, os adultos ficavam atrás.
Silêncio, a sessão vai começar.

P.S. Isto se a fita não se partir ou a máquina não encravar.


Casa do Povo Posted by Hello

12/06/05

S.António

Hoje é vespera de S.António.
Já deveria cheirar a rosmaninho nas ruas.
A cachopada deveria andar num lufa-lufa á procura da melhor maneira de trazer o maior monte de rosmaninho para a fogueira.
Á noite o cheiro a rosmaninho aromatizava toda a povoação e os mais novos só iam para a cama quando estivessem esgotados de tanto saltar.
Algumas queimaduras eram normais. O cheiro a cabelo chamuscado era como um trofeu que se levava para a cama.
No fim ficava consolação de que para o S.João haveria mais.

Rosmaninho Posted by Hello

09/04/05

Assalto á 13ª esquadra

Estreiou nas salas de cinema no dia 7 de Abril um "remake" do famoso filme de John Carpenter "Assalto à 13ª esquadra" de 1976.
E o que é que isso tem a ver com a nossa terra?
Pois é. Se a memória não me atraiçoa foi na sala da Casa do Povo de Chança que eu visionei a versão original pela primeira vez.
Não seria uma facto muito relevante se o nosso saudoso cinema ambulante não nos tivesse habituado a outro tipo de filmes. Grandes "cowboyadas" e filmes de Karaté era o prato preferido dos miúdos e graúdos daquelas época. Os filmes pornográficos estavam reservados a maiores de 18 anos e a alguns menores mais destemidos.
Quando ousavam trazer um filme ligeiramente diferente, era logo rotulado de mau filme, ou então, tinha direito ao famoso comentário "o actor ficou com o cavalo".
Assim trazer á Chança um filme de John Carpenter, nos finais dos anos 70, é um acto ousado, mas deu para ficar na minha memória cinematográfica.
As vezes pergunto se não será confusão minha. Mas cada vez que revejo na televisão uma reposição do dito filme lá vem aquela memória que me faz sempre dizer "Eu vi este filme na Chança".

Assalto à 13ª esquadra
Posted by Hello

03/04/05

Ainda a Quinta do Galo

Quero agradecer o comentário que um anónimo fez a propósito dos últimos post.
É verdade que talvez não tenha dado a importância devida à personagem do
Dr. Fortes mas talvez mereça um post dedicado á sua pessoa numa próxima oportunidade.
Obrigado pela tua opinião e pedia-te, anónimo, que envies mais sugestões e histórias do nosso passado, para que possamos partilha-las com todos.
Só mais uma coisa. A Quinta do Galo já tem um site onde podes vêr fotos da quinta já restaurada. É pena o texto ser em holandês.

02/04/05

Quinta do Galo 3 - A ressurreição?

Á uns tempos soube que a Quinta do Galo fora comprada por uns holandeses.
Será que é agora que quinta vai atinguir o esplendor para que foi construída?
Á uns dias passei por lá e vi que a enorme casa que toda a vida conhecera cor-de-rosa passara a branca.
A princípio chocou-me. Mas no fundo talvez esteja melhor assim. No Alentejo onde o branco da cal predomina talvez seja a escolha certa.
O futuro se encarregará de nos dizer.
Desejo sinceramente que esta casa tenha melhores dias e que ainda possa albergar uma familia que possa ser lá bastante feliz.
A não ser que...

01/04/05

Quinta do Galo 2 - O Regresso

O Dr. Marques Pequito e a sua esposa, D. Maria Lopes, nunca mais voltaram. Alternaram os seus dias entre Coimbra e Moçambique.
E a quinta ficou abandonada. Daí ás ruinas foi um passo.
Soaram rumores de que a casa estaria assombrada. Mas não. Descobriu-se que era o Manel Pavão que ía cantar o fado para o mirante.
Os jovens usavam as ruínas para encontros mais secretos.
Foi então que apareceu o Dr. João Fortes. Comprou a Quinta do Galo e começou a recontrui-la. Só que a casa era grande demais. Foi sendo recontruida segundo as necessidades mas nunca atingiu o esplendor para que havia sido projectada.
Entretanto o Dr. Fortes morreu e os filhos nunca ligaram muito á herança.
Um dia vi uma placa no portão a dizer "Vende-se". Junto tinha o contacto de uma imobiliária.
(continua)

30/03/05

A Quinta do Galo 1

Havía um senhor rico que casou e foi viver com a esposa para a África.
O seu pai ficou responsável pelos seus bens.
O tempo passou e as saudades da terra foram aumentando.
Pediu então ao pai para contratar um arquiteto para contruir uma casa na aldeia.
Pediu para que fosse uma casa térrea, simples, pequena e sem luxos.
O pai não terá percebido muito bem o pedido do filho. Ou então terá pensado que o seu filho merecia mais que uma casa assim tão simples.
Contratou um arquitecto e projectou a maior casa de Chança. Uma quinta como não havia nas redondezas. Era o sonho do pai. Mas não era o desejo do filho.
O Dr. Marques Pequito, era assim que se chamava o futuro dono da Quinta do Galo, quando regressou á sua terra nem podia acreditar. Aquilo ultrapassava os seus piores pesadelos.
Foi morar para Coimbra com a esposa que entretanto adoecera.
A Quinta do Galo ficou desabitada por vários anos.
Á espera dum futuro melhor.

(continua)

Quinta do Galo Posted by Hello

28/03/05

Lengalenga

Ia eu por um vale abaixo,
Encontrei um ninho de cartaxo
Com três ovos de cotovia.

Apanhei-os...

Deitei-os á pata,
Chocou-os a gata,
Tirou-os a égua.

Sairam de lá três leõezinhos.

Fui á caça
Por esses vales arriba.

Encontrei uma pereira
Carregada de avelãs,
Veio de lá o dono das maçãs e disse:

- Á ladrões da uvas do meu faval!

Agachei-me a um torrão,
Atirei-lhe com um melão,
Acertei-lhe num joelho,
Fiou a deitar sangue de um artelho.

"Popular"

16/03/05

Dicionário Chançês/Português (Bor-Fez)

B

Borrenhol
- o mesmo que massa frita; farturas.

C

Chaparro -
azinheira definhada; alcunha pvocatória dada aos alentejanos.

Copa
- o que se trás vestido; roupa; fato.

E

Ervilhanas
- amendoins.

Escalamoucado
- todo partido; o mesmo que esmortoquelado.

Esmortoquelado -
o mesmo que escalamoucado; mais utilizado para se referir a uma coisa que se parte um ou vários bocados mas a maior parte fica inteira.

F

Fezes
- ralações; preocupações extremas; muito utilizado pelas mães que têm filhos que lhes causam muitos problemas; excremento.
"Ai, o mê filho dá-me tantas fezes, quê nim sei!"


Dicionário Chançês/Português (Ab-Av)

Na Chança fala-se básicamente o Português. Apesar de determinadas pessoas usarem determinadas expressões que mais parecem um dialécto bosquímano.
Muitas vezes são palavras simples pronunciadas da forma mais estranha que já ouvi. Outras são regionalismos. Mas por vezes usamos um conjunto de sons que só fazem sentido nesta localidade. Depois de um exaustivo levantamento etnográfico, deixo aqui algumas entradas para o novo dicionário Chançês/Português. Agradecia a quem tenha a pachora de ler estas linhas, que me envie novas entradas.

A

abertinhola
(abortenhola) - abertura das calças, normalmente fechado por botões ou um feixo "ecleire", por onde os homens satisfazem as suas necessidades de caracter líquido.

anexim - o mesmo que alcunha; todos na Chança teêm um, mesmo que não saibam; normalmente realça as caracteristicas mais marcantes do indivíduo; muitas vezes realça os seus defeitos; algumas vezes os próprios não gostam do seu anexim.

aventar - deitar fora; expressão muito usada em todo o Alentejo.

15/03/05

Travessa dos Touros

Volto á Praça da Republica.
Esta praça, pelo que já vimos já foi praça com um pelourinho.
Já foi praça com um fontanário com água canalizada.
Já foi a praça de todas as brincadeiras.
Já foi o centro da vila.
Mas diz-se que também já foi praça de toiros.
Conta-se que noutros tempos, era ali que se faziam as tradicionais garraiadas.
Sempre achei que o espaço não era adequado, nem suficiente para esse fim, mas existe uma travessa que pelo nome por que é conhecida, leva a pensar que tal possa mesmo ser verdade.
É a Travessa dos Touros. Seria por lá que os animais entravam para festa brava.
Existe, ainda, outro episódio curioso que envolve esta travessa.
Á uns anos quando a Junta de Freguesia colocou as placas com os nomes das ruas, atribuiu a este beco o nome de Travessa dos Touros, mas uma senhora não gostou que esse nome fosse afixado na parede da sua casa. Assim o beco passou a chamar-se Travessa da Republica.

Travessa dos Touros
Posted by Hello

09/03/05

OUTEIRO DA FORCA

Na penumbra da noite,ergue-se, qual carrasco com o machado em punho.
Para lá da povoação ele paira. Sempre presente.
Ameaçador. Punidor.
Para quem deambula pelas ruas da "vila", basta levantar os olhos e lá está ele.
A olhar...
O vigilante. O justiceiro. O vingador. O assassino.
Na praça pública faz-se justiça. Com toda a gente a olhar.
E ele sempre presente. Medonho.
O OUTEIRO DA FORCA.
.................................................................................
Desses tempos resta-nos o nome.
Os julgamentos eram efectuados na actual Praça da República.
No local onde hoje se encontra um marco de água seco, erguia-se um pelourinho, sinónimo de justiça.
No alto do monte, no sítio onde provávelmente se ergueu outrora a forca, plantaram um pinheiro. E o pinheiro cresceu. Cresceu mais alto que todos os outros. E uma cegonha fez nele o seu ninho. Depois veio outra. E depois outra.
De local amaldiçoado pela morte passou a símbolo de vida.
Chamaram-lhe o pinheiro da cegonha.
Mas o outiro não mudou de nome. E depois o pinheiro morreu. E a cegonha foi-se embora. E o sinistro nome manteve-se.
OUTEIRO DA FORCA.

Outeiro da Forca
Posted by Hello

02/03/05

Que seca!

Este fim de semana fui á Chança.
Esperava encontrar os campos floridos, os prados verdes.
Nada.
Nicles.
Algumas Margaças, poucas Giestas.
Os campos estão cobertos de um verde seco.
A terra está seca.
Não chove.
A geada queima o que vai nascendo.
Esperava encontrar o início da Primavera, mas aquilo parece o fim do Verão.
Água nem vê-la.
Só mesmo nalguns poços.
Ou será uma miragem?


MiragemPosted by Hello

01/03/05

Migas Alentejanas

Carne de porco (entrecosto,entremeado)
Pão alentejano (com três dias)
Toucinho branco
Muito alho (cuidado com o hálito)

Tempere a carne com alho, sal, massa de pimentão e uma folha de louro.
Frite a carne e reserve o unto.
Derreta o toucinho e frite alguns alhos inteiros, esmagando-os ligeiramente.
Retire os alhos e introduza o pão cortado em fatias finas. Envolva-o na gordura e adicione água a ferver.
Tempere de sal e se gostar junte os alhos fritos que retirou no início.
Envolva o pão e a água até formar uma bola que se solte do tacho.
Enfeite com um ramo de coentros ou hortelã e sirva com a carne.

Nota: não se esqueça de acompanhar com um bom tinto alentejano.

Migas alentejanas
Posted by Hello

27/02/05

Margaça

Eu julgava que a Margaça
Era a mulher de algum home
Afinal é uma erva do campo
Que nem o gado a come.

"Popular"

Margaça
Posted by Hello

23/02/05

Chança - O princípio

De nome Chançelaria, diz-se ser uma vila bem antiga, tendo como origem as invasões da Lusitânia pelas legiões romanas, que se fixaram nesta região à aproximadamente 2000 anos.
Deram-lhe o nome de Vila Facaia, alterado posteriormente para Vila Formosa, derivado, provavelmente a formosura dos seus campos. Neles contruíram uma majestosa ponte de seis arcos, toda em cantaria, que servia de passagem sobre a ribeira de Seda.
Pensa-se que a povoação fosse contituida por dois aglomerados distintos, ligados pelos terrenos da Chancelaria. Com o decorrer dos tempos um dos polos acabou por se extingir restando apenas a povoação que hoje existe.
O nome de Chancelaria deve-se, povavelmente, á divisão dos terrenos em propriedades livres designadas por herdades, e que, passando de pais para filhos, e por deliberação de D.Afonso III, pagavam determinada contribuição intitulada de Chancelaria. O tempo encarregou-se de eliminar as últimas sílabas formando o nome da actual Chança.

20/02/05

ChançaFiles - Mitos Rurais

Todos temos memórias de infância. Aquelas memórias que o tempo vai apagando até se tornarem simples imagens, situadas entre a realidade e a ficção. Mas existem situações realmente extraordinárias que sendo ficção ou realidade merecem ser contadas. Por vezes esses factos são de tal maneira estranhos que se podem tornar autênticos mitos.
Estavamos no verão quente de 75. O Alentejo fervilhava de emoções. Qualquer pequena faísca podia atear um grande incendio.
Eu estava em casa, já era noite. Subitamente ouviu-se um enorme burburinho. Algo estranho tinha acontecido no adro da igreja. Não tenho certezas de como se terão passado as acontecimentos, mas eu acho que me levaram a ver o fenómeno. Quando lá chegamos não vimo nada, assim como muitas outras pessoas que chegaram antes e depois de nós.
Conta-se que do céu veio uma luz vermelha em forma de uma foice e de uma martelo, que terão iluminado aquela noite quente de verão. Para espanto geral essa luz terá sido projectada na parede da igreja.
- Era um cometa! - diziam uns.
- Era um OVNI! - respondiam outros.
O que aconteceu realmente naquela noite de verão não faço a mais pequena ideia. Mas muitas explicações surgiram de imediato.
- Aquilo era coisas dos Russos. - diziam uns com um certo orgulho.
- Coisas do Diabo! - diziam as beatas fazendo o sinal da cruz, tentado no entanto convencer alguem (ou a elas mesmas) de que aquilo poderia ser a Nossa Senhora, em que o martelo seria a cabeça e o traço da foice o manto que a cobria.
Apesar de muitos jurarem a pés juntos que viram sim senhor, e que era assim deste tamanho, exemplificando com gestos, e vinha daquele lado, e depois desapareceu na noite assim como apareceu, eu penso que na realidade ninguem terá visto coisa nenhum.
Mas o mito ficou.
Ainda hoje tento encontrar explicações mais ou menos plausíveis para o que terá acontecido naquela noite. Uma das explicações que me dá mais gozo imaginar é a ideia de que algum ser extraterrestre, dotado de uma inteligência e tecnologia superior, tenha atravessado o Universo para projectar uma foice e um martelo, vermelho na parede da Igreja Matriz de Chança, com o objectivo de convencer a população a votar no PCP; converter as beatas ao marxismo/leninismo; promover a URSS como potência mundial, para que os americanos não mandassem mais sondas para o espaço.

Igreja Matriz de Chança
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07/02/05

Lenda da Ponte de Vila Formosa

Reza a lenda que há muitos,muitos anos, Mouros e Romanos tentavam a todo o custo contruir uma ponte. O que uns faziam, os outros acabavam por destruir. O tempo passava e a obra não avançava. Até que o engenheiro romano responsável pela obra teve a ideia de contrui-la numa só noite. Houve um reforço dos operários, provavelmente foi-lhes prometido um soldo extra, e partiram para a empreitada. A obra tinha que estar concluída antes que o galo canta-se três vezes. Tudo parecia correr bem. A manhã aproximava-se e a obra estava quase pronta. Foi então que o galo cantou. Uma vez, duas vezes, três vezes.
Era manhã, os soldados mouros aproximavam-se para mais uma batalha, e a ponte estava pronta. Ou quase. Faltava colocar a última pedra.
Parece que a batalha correu de feição ao soldados romanos. Os mouros não voltaram a estas paragens. Mas quando quiseram terminar o trabalho, por mais que tentassem colocar a ultima pedra ela acabava por sair do seu lugar.
Reza a que ainda hoje a pedra sai do seu lugar.


Ponte de Vila Formosa.jpg Posted by Hello