08/09/08

Os Escravos do Amor

Duvido que haja algum Chancense que não tenha ouvido falar deste romance.
Ou tenha um exemplar, ou já tenha lido o livro, ou tenha fotocópias, ou pelo menos já tenha ouvido falar.
Eu pertenço ao último grupo. Desde pequeno que ouço falar num romance cuja acção se desenrolava na Chança. Era um drama daqueles que fazia chorar a pedras e que relatava uma história de amor passada nos finais do Sec. XIX. Muita gente compara a história a um popular romance da altura - Rosa Enjeitada de D. João Gonçalves Zarco da Câmara.
Confesso que sempre tive curiosidade em conhecer a referida obra, mas pouco esforço fiz para ter acesso à mesma.

Mas hoje, e graças às novas tecnologias, acabo de receber, via email, as primeiras páginas do tão falado romance. Li a pequena introdução e fiquei com mais vontade de conhecer o resto da história.

14º CIRCUITO DE BTT DO NORTE ALENTEJANO EM CHANÇA

"No passado dia 31 de Agosto o pelotão do BTT invadiu Chança no 14º Circuito de BTT do Norte Alentejano. Depois de 2 anos de interrupção, este evento volta à freguesia em grande estilo, com uma aderência de aproximadamente 300 participantes.
Este evento foi organizado pela Câmara Municipal, pela Associação de Municípios do Norte Alentejano e pela Associação de Ciclismo de Santarém.
As inscrições terminaram pelas 10h00, e os atletas organizaram-se, por escalões, para dar início à prova. A população esperava ansiosa pela partida no Largo da Junta de Freguesia. Após o sinal, dado por parte da organização, as inúmeras bicicletas aceleraram no alcatrão, dando início ao circuito que se fez no espaço envolvente do campo de futebol.
Segundo o Presidente da Junta de Freguesia, Jorge Calado Correia, este evento tem um impacto bastante grande para uma freguesia, “ hoje temos cerca de 1000 pessoas na Chança, por aí se vê o que um acontecimento destes envolve”, disse também que, “foi necessário recrutar pessoal para ajudar na organização, para que corra tudo pelo melhor”.
A prova decorreu durante toda a manhã e terminou perto das 14 horas. “O percurso era acessível, muito rápido o que veio a facilitar a vida a muitos participantes, com pouco treino após as férias”, relatou Filipa Queirós, vencedora da medalha de prata no Campeonato Nacional de Estrada. A atleta deu o seu melhor nesta prova do Norte Alentejano sendo a 1ª classificada na categoria juniores femininas.
Depois do almoço de convívio e descanso, deu-se início à cerimónia de entrega de prémios, que foram atribuídos consoante o escalão. Mas todos os vencedores foram presenteados com um Jersey de Campeão do Circuito de BTT do Norte Alentejano.
No site da Associação de Municípios do Norte Alentejano (www.amna.pt) podemos consultar as tabelas de classificações finais.
É importante destacar dois vencedores do nosso concelho, ambos de Chança. O Guilherme Sapeta que ocupou a 1ª posição dos Iniciados, e o João Serralheiro que também alcançou o 1º lugar dos Veteranos A, a correr pelo Clube de Ciclismo de Évora.
A primeira prova do Circuito está feita, os atletas seguem para o Gavião, onde competem no dia 7 de Setembro."


Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal

fonte: sítio da CM-Alter do Chão



05/09/08

O concelho de Chancelaria

Como devem saber a Chança já foi sede de concelho.
O concelho de Chancelaria dependia da provedoria de Portalegre e da ouvidoria de Vila Viçosa.
Teve capitão-mor, entidade que competia o encargo da vila, assim como, da alçada civil e do crime.
Possui-a corpo de tropas formado por soldados de guerra, ordenados à defesa da terra e por ela alistados, exercitados e armados.
Tinha, também, um corpo burocrático constituído por um procurador, dois juízes ordinários, três vereadores e ainda escrivães.
Este cenário servia de fundo ao concelho de Chancelaria que integrava em 1379 o "termo" de
Abrantes, jurisdição esta confirmada pelo Mestre de Avis.
Nos princípios do século XVIII, pertencia á comarca de Vila Viçosa.
Em 1836, em virtude de uma nova circunscrição administrativa, foi colocada sob a alçada judicial de Fronteira e administrativa de Alter do Chão, em cujo município ficava integrado como freguesia.

NHÉ!!!

Desde esses tempos que existe algum atrito entre a nossa localidade e sede de concelho.
Não tenho nada contra Alter e as suas gentes, mas não posso dizer que morro de amores por Alter do Chão. São aquelas coisas difíceis de explicar.
Fiz amigos em Alter, lembro-me com alguma saudade dos tempos que passei no colégio.
Gosto do castelo, e a coudelaria e os seus cavalos deviam ser um motivo de orgulho para a região.

Mas sempre que for possível dar uma alfinetada aos nossos vizinhos será um prazer.

Vejam o vídeo que se segue e sorriam. (NHÉ!)

Variante à Ponte de Vila Formosa

No dia 29 de julho de 2008 foi lançado concurso público para a adjudicação das obras da construção de uma variante à Ponte de Vila Formosa.
Vou transcrever um trecho do Diário da República para todos possam perceber o que se irá passar naquele local dentro de uns tempos.



"O presente estudo refere-se ao Projecto de Execução da Variante, na EN 369,
à Ponte Romana de Vila Formosa, que inclui uma nova obra de arte sobre a
Ribeira de Seda, no concelho de Alter do Chão, distrito de Portalegre.
A variante com uma extensão de 3000 m, engloba duas ligações de nível, um
restabelecimento, dois caminhos paralelos e uma serventia.
O projecto contempla ainda a recuperação da Ponte Romana de Vila Formosa
(monumento nacional), o arranjo paisagístico de uma zona de lazer junto à
ponte romana, que inclui acessos, estacionamento e equipamentos próprios para
usufruto e valorização do monumento nacional que é a ponte romana.
Os trabalhos de recuperação da Ponte Romana englobam a escarificação do
pavimento existente no sentido de colocar à vista o pavimento original no
tabuleiro da obra de arte e na estrada junto à actual área de lazer, trabalhos
de requalificação do monumento (consolidação e reparação de fendas nos
elementos pétreos que apresentem anomalias), limpeza da vegetação existente,
recuperação generalizada da obra de arte com vista à posterior museolização
do monumento.
As características principais do empreendimento são:
Variante à Ponte de Vila Formosa, que constitui uma variante à estrada nacional
(EN 369) no troço em que se insere a Ponte de Vila Formosa, Estrutura
Romana do século II;
Obra de arte para a travessia da Ribeira da Seda, com 220 m de extensão;
Acesso à zona da Ponte Romana e arranjo paisagístico de área adstrita a este
monumento nacional;
Duas ligações de nível do tipo entroncamento (ligação 1 – a Vila Formosa e
ligação 2 – à EN 369 / Ponte Romana) e o restabelecimento de um caminho
rural e a respectiva obra de arte (passagem agrícola)."
Diário da República, 2ª Série - nº 145 - 29 de Julho de 2008

29/08/08

A Anta da Murtosa

Já perguntei a algumas pessoas e ninguém ouviu falar na Anta da Murtosa.
O IPA referencia este sitio como sendo do período Neo-Calcolítico e está descrita como uma "anta de granito, implantada num pequeno cabeço, sobranceiro à Ribeira da Seda". Encontra-se bastante alterada.
Mas a dúvida mantem-se quanto à sua localização.

Fica aqui a referencia a este património e pode ser que alguém acrescente alguma informação que possa esclarecer as nossas dúvidas.

21/08/08

Os mistérios de Froia

Froia.
Uma terra de granito e pedregulhos.
A ribeira de Seda percorre estas terras numa paisagem de rara beleza e com características importantes que levaram os nossos antepassados a assentar arraiais e a deixar a sua marca aquando da sua passagem.


Voltando às andanças arqueológicas, numa pesquisa na base se dados do IPA - Instituto Português de Arqueologia, encontrei três sítios arqueológicos referenciados na nossa freguesia.
Dois deles estão localizados em Froia.
Não conhecendo a sua localização exacta, dei por mim a percorrer a região para ver se algum achado me caía em cima.
Aquilo são só rochas por toda a parte.
Qualquer pedra pode ter sido uma anta, uma sepultura ou qualquer coisa do género.
O que é um facto é que os nossos antepassados andaram por lá.
O primeiro sítio é do período romano e está referenciado como sendo uma

"Villa, talvez fortificada e a uma dependência exterior desta. No local são abundantes as cerâmicas de construção e comuns, em dois locais a cerca de 50 metros um do outro. No seu conjunto cobrem uma área de cerca de 2000 m2, atingindo a concentração de maiores dimensões cerca de 1800 m2, e apresentando ainda vestígios de muros de considerável espessura a superfície."


A segunda referencia, denominada Froia 2, diz respeito a uma necrópole, igualmente do período romano.

"Debaixo de um sobreiro isolado, encontra-se uma lage de granito que aparenta ser uma cobertura sepulcral. A terra no local onde deveria primitivamente assentar, encontra-se revolvida e rebaixada, e podem ver-se outras lages colocadas interiormente em posição vertical, que formariam provavelmente os esteios da caixa da sepultura."

Fonte: http://www.ipa.min-cultura.pt/



Foto by olsec Mais fotos em ChançaPhotoBlog

16/08/08

ChançaPhotoBlog

A partir de hoje é oficial.
O Chança Photo Blog existe.
Posso considerá-lo um filho do Chançablog.
Ele irá divulgar a nossa terra, só que em imagens.
O Chançablog continuará igual a si mesmo (como dizem os futebolistas) e sempre que se justifique, fazerei referência a este "anexo".
Para visualizá-lo basta clicar aqui ou consultar os links no fundo da página.
Espero que gostem.

Atenciosamente,

olsec

Externato Diogo Mendes de Vasconcelos

É já em Outubro, no dia 4, que se irá realizar o 1º encontro de antigos alunos do Colégio de Alter.
Eu também andei lá. Guardo algumas boas recordações.
Se pudesse gostava de comparecer. São 50 anos de histórias que provavelmente irão ser recordadas.
Eu apanhei os últimos 3 anos. Mas teria ainda alguma coisa para partilhar.
Muitos se lembram da camionete do Colégio. Era azul e o motorista era o Sr.Vitorino, que morava com a sua esposa numas casinhas atrás do campo da bola. Tinha uma horta anexa.
Eu estava lá quando aconteceu aquele nevão que cobriu de branco todas as freguesias.
Foi uma paródia porque não houve aulas.
E os professores?
Quem se lembra do Sr.Prof.José Manuel Cary e do seu filho Luís, mais conhecido por "Patacó"?
E do P.Saraiva e as suas atribuladas aulas de Francês?
E do professor de Físico-química e Matemática (que agora não me recordo do nome), que era dos lados de Alpalhão e tinha um FIAT 850 azul?
A propósito deste professor assisti a uma cena digna dum sketch dos Malucos do Riso ou dos Gatos Fedorentos.
Após um "ponto" de Matemática que todos teriam tido uma má nota, o dito professor, já irritado, inicia um discurso deste tipo:
- Pois! Porque estão aqui 22 burros...
Mas foi interrompido por um dos alunos, que acrescentou:
- 22 não! 23!
- Rua! - Exclama o professor.
- Pronto, se quer que fiquem os 22, ficam os 22. - Replicou o aluno perante a gargalhada geral.

P.S. As inscrições são só até 20 deste mês.


07/08/08

Festas 2008

São já neste fim-de-semana.
Não é um grande acontecimento, mas muitos Chancences já estão a combinar o seu regresso.
Nem que seja por dois dias.
Gostava de postar aqui o cartaz deste ano, mas ainda não foi possível.
Se este me chegar em tempo útil, com certeza que aqui o colocarei.
Mas não queria deixar de referir quem são os cabeças de cartaz deste ano.
O Duo Ele e Ela.
Quero aqui confessar que eu sou um grande admirador do Crispim.
Antes da música pimba ser pimba, antes dos Quins Barreiros, dos Emanueis, dos Leoneis Nunes, etc... havia o Crispim e a sua Lena.
Com a sua música brejeira, mas com uma espontaneidade que não chocava, tornaram-se nos pais de todos os pimbas.
O Crispim é um animador nato, descendente dos palhaços, que fazem rir só por si.
O Crispim faz rir. Tem piada. Gosta da brejeirice, mas não da ordinarice fácil.
Eu sou fã do Crispim. E tenho muita pena de não poder estar lá para o aplaudir.
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Vou deixar-vos aqui uma pérola desta dupla que devia ficar para a história da comédia em Portugal. Um chorrilho de máximas para a vida...

05/08/08

Mais Festas

Mas houve mais festas além das de 83.
Desculpem a minha ignorância, mas já não me recordo em que ano foram as famosas festas da
Maria Gertrudes, a intrépida festeira que assumiu sozinha a árdua tarefa de pegar na bandeira.
Até poderia ter sido em 83, mas eu acho que foram mais tarde. Talvez em 85 ou 86.
Mas recordo-me de terem sido umas festas com um cartaz muito forte. Também não me lembrode quem actuou nesse ano, mas o que ficou para a história, foi a coragem de uma mulher que conseguiu, contra a critica dos "velhos dos marretas", o apoio e a admiração de muitos.
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Mas houve outros momentos altos nas nossas festas. Grandes nomes da música popular Portuguesa passaram por lá: o grande Carlos do Carmo; o saudoso Carlos Paião; o já falado Variações; o super-popular Marco Paulo; e mais recentemente o Vitorino.
Muitos mais por lá passaram mas a memória, neste momento, não está a ajudar.
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É verdade que com o passar dos anos a qualidade têm vindo a diminuir.
Mas o valor dos caches, a falta de apoio, de visitantes, um formato de festas já gasto e um leque vasto de ofertas nos festivais de Verão, leva estes festejos populares a ter uma maior vocação para reunião de amigos e familiares em detrimento da componente musical ou artística.

(continua...)

P.S. Há quem ainda esteja, de bilhete na mão, à espera da Adelaide Ferreira...

03/08/08

Festas de 83

As Festas são já na próxima semana.
Um dia destes recebi um comentário a um post mais antigo que dizia, com uma certa nostalgia, que festas foram as de 83.
Quem sou eu para contrariar esta opinião.
Mas quero apenas deixar aqui algumas considerações sobre o assunto.
Lembro-me muito bem da espectacular actuação do grande António Variações. Concordo que talvez tenha sido a melhor performance de um artistas em terras de Chança.
Lembro-me também, que nesse ano foram mais dois nomes grandes da música nacional da altura: o Marco Paulo (gostos à parte, é uma figura importante da música popular Portuguesa); e o outro me não consigo recordar.
Mas o ponto alto dessas festas foi sem dúvida, a actuação do Variações.
É interessante verificar que o António Variações era uma figura controversa na altura. Homossexual assumido, com um visual excêntrico, era visto com muita desconfiança pelo conservadorismo da altura. Mas uma actuação em que teve de saber conquistar a "plateia" (foi dos pouco artistas a descer o reboque do tractor para actuar mais perto do público), terminou em apoteose com um grupo considerável a dançar e aos pulos como nos concertos de agora.
Conta-se ainda um episódio interessante.
O artista foi vestir-se a casa da D. Lucília Sapeta. Quando viu o personagem terá dito, num tom de resignação, "cada um é como cada qual..."

26/07/08

ChançaPhotoBlog Janelas #2




Noites de Verão - Tudo mudou...

Tudo mudou em meados dos anos 80.
As portas fecharam-se, as noites passaram a ter menos gente na rua, a "vila" ficou às moscas...
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Grande acontecimento! Na Junta de Freguesia ia proceder-se ao sorteio das chaves do Bairro Novo. Grande acontecimento!
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E foi quase um êxodo. Aquelas crianças que corriam pela vila dia e noite, mudaram-se para o Bairro Novo. E as portas eram melhores. Tinham fechaduras. Ali já não se contavam histórias às portas nas noites de Verão. Já não se corria rua abaixo e rua acima. Os velhos ficaram, abandonados, na vila deserta...
E o centro da "noite" passou para o Rossio. É verdade que a idade já era outra. Exigia mais privacidade, priveligiava-se o escuro dos bancos do Rossio. As histórias também eram outras. Depois eram as futeboladas no ringue. O snooker na Junta. As mães das raparigas em guarda.
Eram outras noites. Também animadas.
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Mas as portas não voltaram a ficar abertas...

18/07/08

Chançafiles - Três anos depois...

Ontem aconteceu uma coisa incrível.
Passados mais de três anos tivemos um comentário a um dos primeiros post aqui publicados.
É engraçado que por vezes a memória prega-nos partidas (sobretudo quando são memórias de uma criança de 5 anos).
E quando conto histórias do "antigamente", ou então daquelas que eu "ouvi falar", tento sempre salvaguardar a "verdade" (se é que ela existe).
Mas por vezes é mais interessante manter uma boa história, que vai alimentar a imaginação das gerações vindouras, do que relatar a verdade "nua e crua" que retira ao acontecimento toda a magia.
É assim que nascem as lendas e somos nós os responsáveis por perpetuá-las.
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Neste caso concreto, passado 3 anos, alguém vem aqui dizer:
- Eu estive lá.
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O caso relatava um fenómeno estranho que terá acontecido no adro da igreja, no Verão de 75, onde terá aparecido do céu uma foice e um martelo a vermelho.
Eu tinha 5 anos na altura e a unica coisa que me recordo foi a agitação e uma correria até à igreja.
Quando lá cheguei, com a minha mãe, não vimos nada.
O resto foi o que se contou na altura.
É engraçado que até relatar esta história neste blog, acho que nunca a tinha comentado com ninguém, chegando até a pensar que seriam "partidas da memória".
Mas eis que surge um voz, uma testemunha, alguém esteve lá e viu.
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Como já passou muito tempo vamos recuperar o post original na integra com o comentário de ontem.

Chançafiles - Mitos rurais (republicação)



Todos temos memórias de infância. Aquelas memórias que o tempo vai apagando até se tornarem simples imagens, situadas entre a realidade e a ficção. Mas existem situações realmente extraordinárias que sendo ficção ou realidade merecem ser contadas. Por vezes esses factos são de tal maneira estranhos que se podem tornar autênticos mitos.
Estavamos no verão quente de 75. O Alentejo fervilhava de emoções. Qualquer pequena faísca podia atear um grande incendio. Eu estava em casa, já era noite. Subitamente ouviu-se um enorme burburinho. Algo estranho tinha acontecido no adro da igreja. Não tenho certezas de como se terão passado as acontecimentos, mas eu acho que me levaram a ver o fenómeno. Quando lá chegamos não vimo nada, assim como muitas outras pessoas que chegaram antes e depois de nós. Conta-se que do céu veio uma luz vermelha em forma de uma foice e de uma martelo, que terão iluminado aquela noite quente de verão. Para espanto geral essa luz terá sido projectada na parede da igreja.
- Era um cometa! - diziam uns.
- Era um OVNI! - respondiam outros.
O que aconteceu realmente naquela noite de verão não faço a mais pequena ideia. Mas muitas explicações surgiram de imediato.
- Aquilo era coisas dos Russos. - diziam uns com um certo orgulho.
- Coisas do Diabo! - diziam as beatas fazendo o sinal da cruz, tentado no entanto convencer alguém (ou a elas mesmas) de que aquilo poderia ser a Nossa Senhora, em que o martelo seria a cabeça e o traço da foice o manto que a cobria.
Apesar de muitos jurarem a pés juntos que viram sim senhor, e que era assim deste tamanho, exemplificando com gestos, e vinha daquele lado, e depois desapareceu na noite assim como apareceu, eu penso que na realidade ninguem terá visto coisa nenhum. Mas o mito ficou. Ainda hoje tento encontrar explicações mais ou menos plausíveis para o que terá acontecido naquela noite. Uma das explicações que me dá mais gozo imaginar é a ideia de que algum ser extraterrestre, dotado de uma inteligência e tecnologia superior, tenha atravessado o Universo para projectar uma foice e um martelo, vermelho na parede da Igreja Matriz de Chança, com o objectivo de convencer a população a votar no PCP; converter as beatas ao marxismo/leninismo; promover a URSS como potência mundial, para que os americanos não mandassem mais sondas para o espaço.



Publicado a 20/02/2005

Comentário de 17/07/2008

IMA disse...
A foice e o martelo (avermelhados) no céu...sim, eu estava lá nesse momento e também os vi. Um desenho bem elaborado, formado entre as poucas nuvens que havia,nessa ocasião. Foi em Junho de 1975 e no adro da Igreja estavam algumas pessoas, que, como eu olhavam para o céu admirando o fenómeno. Claro, surgiram de imediato comentários à moda da Chança.Eu sempre fiquei com a ideia e é a única explicação que me ocorre: o sol tinha acabado de se enconder atrás da linha do horizonte, havia bastante claridade, os raios solares incidiam nas poucas nuvens, dando-lhes um tom laranja/avermelhado,provocando a coincidência de uma imagem que nos era muito familiar na época, porque há muitas coincidências nanatureza; quantas vezes olhamos para coisas que nos fazem lembrar outras..


04/07/08

E, de repente, tudo acalmou

Nem tudo eram correrias nas noites de Verão.
Havia, também a acalmia.
O descanso do guerreiro ocorria, muitas vezes, no degrau da D. Lucília onde a "gaiatagem" se sentava a ouvir as pilhérias (para melhor entendedor - p´lérias) da sua ama.
Ana Preta, era assim como era conhecida, não que fosse esse o seu nome de nascimento, nem que fosse essa a cor da sua pele, era uma verdadeira contadora de histórias.
Lembro-me que os os miúdos largavam as suas correrias e ficavam horas a ouvir as suas histórias.
Ensinava-nos lengalengas como a "Sola, sapato, rei, rainha/ Foi ao mar pescar sardinha", etc... e muitas outras histórias de encantar.
Havia aquelas em que os personagens iam "correr mundo" (fosse isso o que fosse); muitas vezes aparecia uma velhinha ( e em surdina acrescentava: "e a velhinha era a Nossa Senhora") que solucionava os problemas causados pelo mau da história que invariavelmente era o Diabo; outras começavam com aviso "isto aconteceu no tempo em que os animais falavam..."
Durante muito tempo me questionei qual seria esse tempo, em que local ou se teria mesmo existido...
Só havia uma história que nunca a consegui ouvir acabar. Ria de tal modo que por muitas vezes que contasse a mesma história ou que a tentasse acabar, o desfecho era sempre o mesmo. Risos e mais risos. Tantos que durante muito tempo todos desconhecia o fim da dita história.
Muitos devem reconhece-la, mas já que falo nela aqui vai:

"Era uma vez uma mulher que passava os dias a chamar pela Morte.
- Sou tão infeliz que só a Morte me pode valer;
- Oh Morte! Vem-me buscar que eu não ando cá a fazer nada;
O seu marido já nem ligava a tais lamurias, até que um dia alguém bateu à porta.
- Quem será a estas horas? - perguntou a mulher algo irritada pela inconveniente visita.
- Vai lá abrir que pode ter acontecido alguma coisa - retorquiu o marido
- Quem é? - perguntou a mulher abrindo a porta e vendo um personagem
encarapuçado com uma gadanha na mão
- Eu sou a Morte - disse em tom solene - e venho-te buscar...
Ao que respondeu a mulher:
(E aqui começava a sessão de risos, que ia alastrando pelos ouvinte)
- A mim não! - disse a mulher - Vai ali ao mê home (mais risos que não
deixavam perseptiveis as palavras da narradora) que está debaixo dequela albarda!
(Esta última parte só a soube muito mais tarde, tendo para isso que perguntar a quem conhece-se a história)

Noites de Verão 2


As brincadeiras naquela altura eram simples e não necessitavam de muitos adereços.
A tecnologia era a nossa imaginação.
O simples jogo das escondidas mantinham uma "matilha" de cachopos entretidos todo o serão.
Os gritos de 1, 2, 3, "João", "o último salva todos" ou "arrebenta o jogo" ecoavam pelas ruas.
A apanhada, jogar à bola, o toca e foge, o mata, eram só alguns dos jogos que dispúnhamos para variar.
Mas a brincadeira por excelência dos rapazes da altura era "jogar aos Cowboys".
Aqui entrava um adereço imprescindível - a pistola.
Havia sempre alguns que tinham mais do que uma e dava sempre para todos.
Quando não havia, improvisava-se com um pau.
Por vezes aparecia algum com alguma arma mais evoluida.
O "Chico" tinha um pistola com "martelicas" que comprou na feira de S. João.
O "Jaquim" tinha uma estrela de Xerife, um "coldre" e até tinha umas esporas.
O "Manel" trouxe de Lisboa um máscara do Zorro, "mas com uma espada não se safa", "então tem aqui uma pistola e pode ser o mascarilha", "então eu sou o Tonto", "e eu sou o Bonanza", "e eu o Billy, The Kid".
Os tiros ecoavam na noite, que variavam entre os sons emitido por entre os dentes cerrados (acompanhado por uma chuva de salpicos cuspidos à velocidade de um tiro) e uma "nnneommm" que soava mais metálico e que forcava semelhanças com o ricochete das balas.
Depois, "tás morto", "não estou", "não me acertas-te", "acertei sim senhor", "assim não jogo", "este gajo é sempre a mesma coisa", "dá cá as pistolas que são minhas", "pronto, tá bem, mas p'rá próxima morres mesmo".
E continuava-mos serão fora, "mãos ao ar e armas para o chão", que era a ordem (pelo código de honra de quem jogavas aos Cowboys) pela qual nos tínhamos de render.

(Os nomes acima mencionados são imaginários)

03/07/08

Noites de Verão

Quando penso em noites de Verão lembro-me, invariavelmente, da Chança.
Mas não na Chança de agora.
Lembro-me doutra Chança que se desvaneceu no tempo, mas que a memória teima em reavivar.
Era a Chança das noites de Verão, das portas abertas, das velhas sentadas nos poiais (ou "piais" como por lá se dizia), dos cachopos em correrias doidas pelo serão fora.
O centro dessa "vida nocturna" era "a Vila".
Havia muitos cachopos "na vila", depois vinham os do "Rossio". Vinham até "dos Baldios".
Depois apareciam aqueles que vinham passar as férias grandes a casa dos avós.
Era um corrupio que só terminava quando as mães nos roubavam a uma brincadeira qualquer, que pela ausência força de um participante, punha, às vezes, fim a mais uma noite de suor e cansaço.
Mas no outro dia havia mais. E assim sucessivamente até ao fim do Verão.
Continua...

29/06/08

O Grande Livro das Receitas da Chança

Bem... como devem ter reparado esta receita foi retirada de um site com receitas de todo o país.
Apesar das muitas semelhanças não é a sopa de sarapatel da Chança.
Sendo uma receita tão característica da nossa terra, convido-vos a perguntar às vossas mães e avós a verdadeira sopa de sarapatel da Chança.

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Já que estamos em maré de comidas, faço-vos mais um desafio.
Enviem receitas típicas da nossa terra, aquelas que vos deixam água na boca.
Podem usar todos os tipos de suporte, desde o mais simples comentários a coisas mais originais, tais como fotos das comidas, vídeos com as receitas, até podem entrevistar a avó e filmar com o telemóvel.
Podem enviar o vosso material por email para celsosantiago@gmail.com

Sopa de Sarapatel - A receita

Ingredientes:

- 800 g de fressura de borrego
- 2 cebolas grandes
- 4 dentes de alho
- 1 pimento verde
- 4 tomates
- 2 folhas de louro
- 1 dl de azeite
- 2 dl de vinho branco
- 1 colher de sopa de cominhos
- 1 colher de sopa de colorau
- 2 postas de sangue de borrego já cozido
- sal q.b.
- 1 ramo de hortelã
- 1 laranja
- 400 g de pão alentejano

Preparação:

Refogue as cebolas, os alhos e os pimentos. Quando a cebola estiver transparente, junte a fressura com sal e deixe refogar mais um pouco até a carne mudar de cor. Depois junte o tomate e o louro, deixe ferver um pouco e adicione o colorau, 1 litro e meio de água, o vinho, os cominhos e, finalmente, o sangue e um ramo de hortelã. Deixe ferver até estar bem cozido.
À parte cortamos pão alentejano fininho, dispomos numa terrina grande ou em várias individuais, a laranja às meias luas e folhas de hortelã. Cobrimos com a carne da sopa e regamos bem com o molho.

Fonte:
www.receitasemenus.net/content/view/1547/262/

27/06/08

Sopa de Sarapatel

Se existe "o meu prato favorito", esse é a Sopa de Sarapatel.
Também conhecida por Sopa de Fressura, Sopa de Verde, Sopa de Serrabulho (embora este termo seja preferencialmente utilizado para a dita sopa feita com fressura de porco), este é um prato típico da nossa terra.
Muito utilizado para ocasiões festivas, em particular nos casamentos e na Páscoa.
Confeccionada com as vísceras do borrego, a dita fressura (e não verssura), e com o sangue cozido, é um manjar de comer e chorar por mais. De preferência acompanhada por um tinto da região.

23/06/08

Ele há coisas que nunca mudam

Já não é a primeira vez que publico um post a Chança.
É sempre um prazer porque a inspiração vem no momento, do que estamos a ver, a sentir, e não de recordações.
É verdade que este blog vive muito de memórias, mas a realidade está aqui.
Ontem esteve um calor daqueles. Hoje amanheceu cinzento mas a tarde promete mais calor.
No Sábado houve baile abrilhantado pelo nosso conterrâneo Paulo Jorge. Houve garraiada à tarde.
Ontem tivemos a Feira de S. João onde contei 6 barracas... Foi no campo da bola à torrina do sol...
Agora tenho de ir almoçar...
Sopa de Sarapatel...
Ele há coisas que nunca mudam...

22/06/08

Olá, mais uma vez!
Em primeiro lugar quero agradecer a todos os que duma ou de outra maneira me têm incentivado a continuar.
Não tem sido fácil manter actualizado este blog mas a vossa fidelidade não me permitem desistir.
Por isso vão aparecendo por aqui que com maior ou menor frequência vão surgindo novidades.

(nick) Olsec

28/03/08

O Chico Ferreiro, um artista da nossa terra

E finalmente, o vídeo que todos esperávamos.
Peço desculpa pela fraca qualidade de imagem e som, mas foi o que se pode arranjar.



Os meus agradecimentos ao pchardeco que me forneceu este vídeo.

20/03/08

Necessidade de Pensar

Encontrei este texto por acaso, perdido na Internet, num blog chamado "Vamos lixar tudo (Se ainda resta alguma coisa)".
Não consigo encontrar nenhuma relação directa do autor(ou autores) deste blog com a nossa terra. Penso que será uma coincidência de alguém que passa ou passou por lá.
Mas achei interessante esta pequena história, porque quando sinto necessidade de pensar lembro-me imediatamente da Chança.
O silêncio é propício a isso, assim como o calor, ou o aconchego do canto do lume, ou ainda os seus sabores.
Deixo então uma cópia deste episódio que se terá passado na Estação.

"Chegou à estação da Chança, no Alto Alentejo, com a antecedência do costume. Faltava ainda meia hora para a chegada do comboio. Era o único passageiro e por isso poderia depreender-se que não teria ninguém a quem perguntar e ninguém que lhe perguntasse o que quer que fosse. Mas na Chança, como em todas as pequenas aldeias do Alentejo, as pessoas vão para a estação, não para apanharem o comboio, mas para o verem passar e ficarem a saber de quem chega e de quem parte.
Sentados no banco, por debaixo do relógio da estação, que marcava 4 horas e 15 minutos, estavam sentados três homens, velhos, nos seus 70 e tal anos de vida e muita amargura no coração.
- Ó homem, sente-se aqui - disse o do meio.
- Obrigado, mas o comboio está já a chegar, e... -, replicou António, sem a mínima intenção de entrar em conversação com quem quer que fosse, sobre o que quer que fosse.
- Mas, vai ficar meia hora de pé, a olhar para os carris, amigo? - insistiu o da ponta direita.
- Desculpe, preciso de estar sozinho. O que vou fazer é um desafio enorme. Ainda o estou a tentar medir. A medir-lhe os prós e os contras. E, por isso, preciso de o fazer sozinho. Não me leve a mal, não se trata de má educação. Desculpem-me. Mas agradeço a atenção.
- Esteja à vontade então. Ó homem pense no que quiser sozinho, se é disso que precisa.
António esperou os trinta minutos de pé, a olhar em frente, até ter avistado a carruagem ao longe. Pegou na pequena mala, a sua única bagagem, e pôs-se muito direito, como se estivesse a assistir a um acto solene, à espera que o comboio parasse. Naqueles 30 minutos, António - aquele que não se quis sentar, que não quis conversar, porque tinha de pensar -, não pensou em nada."

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18/03/08

O Ferreiro, o Mensageiro de Alter e o Stuntman_dave

Dificuldades técnicas impedem-me de postar o vídeo sobre o Sr. Francisco Gomes.
Perante estas dificuldades, e durante mais uma pesquisa pela net, encontrei mais um blog de um pchardeco que publicou a transcrição da reportagem na integra.
Esta transcrição foi publicada no Mensageiro de Alter, esse "famoso" jornal que costumava reservar uma grande coluna para a freguesia de Chancelaria (não sei se continua assim ou se piorou).
Assim vou deixar-vos uma cópia da transcrição da reportagem para que fique no arquivo deste espaço, assim como o link do blog de mais um pchardeco.

"É em Chança que se encontra talvez o último ferreiro de todo o Alto Alentejo.
Mestre à antiga, das suas mãos o que sai é arte.
«Sou um ferreiro artesão» e, quem o diz é Francisco Caldeira da Costa Gomes, 63 anos, que tem oficina que vem do pai no centro da localidade, no nº. 81 do Largo Barreto Caldeira e, é ali que todos os dias cumpre a sua missão de dar vida nova ao ferro, lamentando que «hoje não há quem queira aprender esta arte». «Estes machados são para Castelo Branco», diz-nos enquanto continua as peças que confecciona à antiga. São machados de tirar cortiça e há-os parecidos nas lojas, «mas depois partem-se», enquanto estes duram uma vida de trabalho.
«Comecei a trabalhar com 12 anos, e nisto ou se começa cedo ou não se aprende». É ávida quem o ensina, pois não é com 16 ou 18 anos que se começa a aprender uma arte que leva tantos anos a dominar, repleta de segredos de tempos longínquos, que os segredos da têmpera só ensinam a um filho ou a um aprendiz que dê garantia de continuidade.
Aliás, o segredo mesmo está na têmpera e na rapidez com que é preciso trabalhar o ferro quando atinge uma determinada cor.
É verdade que hoje o trabalho escasseia, mas «dá para viver com economia».
«Ainda trabalhei 10 anos no Pereiro (uma herdade)» e também «dois anos na Metalurgia (do Crato), «trabalhei como serralheiro» mas «regressei» para a oficina, porque «esta é a arte do meu coração».
Mestre Francisco Costa Gomes nasceu para esta arte que aprendeu com o pai. E aponta os martelos de vários pesos e dimensões, próprios para cada idade, para mostrar que sendo este um trabalho que se pode considerar pesado, as tarefas são adequadas às condições de cada aprendiz. O que é pena é que não haja quem pudesse vir a ser um bom ferreiro porque as leis não deixam que um jovem possa aprender em tempo oportuno esta como outras artes, confundindo-se isso com exploração infantil.
Hoje um dos problemas do mestre ferreiro «é que já vão escasseando os matérias», é difícil arranjar por exemplo carvão de pedra, que vinha das minas, que era calibrado e que agora não há, e «até os aços já não têm as mesmas medidas».
«O aço vinha da Suécia e agora remedeio-me com alguns restos que por aí há».
Para se trabalhar, o aço tem de ser batido e temperado, e a têmpera – diferente para cada tipo de utilização – é dada com um produto feito à base de sebo de borrego com azeite que faz arrefecer o ferro quando este apresenta uma dada coloração – castanho palha, rosa, azul em vários tons, amarelo… - em função da temperatura que atinge. «E cada aço quer a sua têmpera», diz quem sabe.
São acções de segundos, que exigem muito conhecimento, treino e rapidez, e que «dantes até eram feitas só à porta fechada, para ninguém ver».
Na oficina de Mestre Francisco o chão continua a ser de terra e o cepo em que assenta a bigorna tem mais de 70 anos. Ali se faz tudo o que é possível fazer em ferro, de martelos de calceteiro a ferraduras – que as feitas à máquina não duram nem metade.
«Sou do tempo que não havia soldadura e as peças faziam-se todas inteiriças». «Caldeava-se o ferro», num processo que se «vê pela cor do lume» e depois de pronto «limpava-se com areia».
Cada ferreiro tem a sua marca e Mestre Francisco utiliza «duas estrelas e um i, que já era a marca do meu pai». «Há alturas em que não há serviço» e «vou aproveitando o tempo para fazer uma peça de cada» que se lembra, desde coleiras para proteger os cães dos lobos até machas de todos os feitios, passando por tantas outras peças, que «o meu desejo era fazer um museu».
Por isso está também a recuperar o velho fole, depois, «quando eu morrer, quem ficar que faça disto o que quiser».
A arte já o marcou na carne. «Não vejo de uma vista, porque me saltou um bocado de aço», mas esta é a arte exigente que ama.
«Sou um ferreiro e dizem que sou industrial, pelo menos assim consta nas contribuições.
Mestre Francisco faz tudo o que em ferro é possível fazer, mas o filho não lhe seguiu a arte, como ele seguiu a do pai.
O tempo é outro e está a perder-se, a uma velocidade vertiginosa, valores e até técnicas, como esta de ferreiro, com milhares de anos de conhecimento.
Nem que seja só para apreciar o que Francisco Costa Gomes tem em exposição na sua oficina, e que tanto ensina sobre a ruralidade dos últimos séculos, vale a pena visitar a Chança."


Os meus agradecimentos ao stuntman_dave e ao seu Pensamentos de Subterrâneo

16/03/08

Francisco Costa Gomes - O Ferreiro

Passou na "SIC" há umas semanas uma grande reportagem sobre um dos últimos ferreiros do Alentejo.
Foi com grande surpresa que colegas de trabalho me vieram dizer que viram uma reportagem sobre a Chança, na televisão.
Com alguma ansiedade, procurei de imediato informações sobre o ocorrido.
- É verdade, passou ontem no jornal da SIC uma reportagem sobre o Chico Ferreiro - disseram-me.
Já tenho em minha posse um vídeo, mas de fraca qualidade, que tenho tido alguma dificuldade em postá-lo neste espaço.
Deixo, assim uma foto e prometo mais novidades para breve.

09/03/08

07/03/08

Mais fotos da Joana em Olhares.com



Quem é esta?

Nos últimos dias, durante uma das minhas pesquisas pela net sobre a palavra Chança, encontrei mais um dos mistérios do tipo "Quem é esta?"
Depois da misteriosa Rosa Maria, que continua a gerar acesos debates entre os nossos conterrâneos, encontrei uma personagem misteriosa que andou a fotografar a nossa terra.
Mais. Publicou algumas dessas fotografias num dos melhores sites de fotografia que existe por cá:
Olhares.com
É uma mulher e dá pelo nome de Joana Homem da Costa.
Continua...

by Joana Homem da Costa






06/03/08

Olá Chança!

Olá Chança!
Estamos de volta.
Espero que esta grande ausência não vos tenha levado a desistir.
Por aqui estivemos quase a fechar as portas.
Não é fácil manter actualizado um espaço sobre a Chança.
Diz-se que um blog têm um tempo de vida de três anos. Já foi atingido.
Vamos tentar mantê-lo por mais tempo.
Um dia alguém escreveu por estas bandas: "Estamos a contribuir para a nossa memória colectiva"
Desde o início que pedi para partilharem as vossas memórias para esta ser a memória de todos e não só de alguns.
Poucos têm correspondido.
Mas mesmo assim vamos continuar.
E já agora, com uma nova aparência.