Pois é… é aqui que tudo começa…
O que é que um grupo de jovens “idiotas” (ou seja, daqueles cheios de ideias, em que elas fluem seguidinhas umas às outras), sem nada para fazer, sentados nos bancos do Rossio (na Chança, claro), onde, para piorar a coisa, estava um jovem Lisboeta que vinha sempre passar uns dias de férias à Chança, de Seu nome M…, e cuja voz se assemelhava à do Carlos Cruz, numa quinta-feira à noite, e com uma cabine telefónica ali tão perto???
Está-se mesmo a ver, …ou não?
Condição “Sine qua non”: Sortear o numero de telefone do (in)feliz contemplado.
Um dó-li-tá Chança, Cunheira.
… Cunheira, Claro!! (que sorte – nada tendenciosos).
Por razões que não importam, alguém sabia um número de telefone de alguém. Na ausência de quaisquer outros, aquele servia na perfeição. Após alguns trriiins-trriiins, alguém atende. O pseudó-CC (Carlos Cruz) apresenta-se, e em nome do 1, 2, 3 e do “Cola Cao” informa que “a senhora foi a feliz contemplada com este magnífico automóvel”. Os restantes elementos do grupo, tal público entusiasta, entre gritos, palmas e assobios, desempenharam, na perfeição, o papel que se lhes exigia. Mas as pessoas são muito mal agradecidas. E a senhora lá foi dizendo que nunca enviou qualquer rótulo. O “programa está prestes a terminar”. Que desilusão.
Mas a senhora lembrou-se que uma vizinha costumava enviar os ditos rótulo, e como não tinha telefone, costumava por o número dela. Até aqui não tinha sido referido, nem perguntado, qualquer nome. O Pseudo-CC perguntou se não podia falar, então, com a vizinha. A resposta foi: “ela mora um pouco longe daqui, num monte. Só se o meu marido a for buscar”. “E quanto tempo demora?” perguntou o CC. “Daqui por uma hora já cá está”. O CC, também.
E uma hora depois, novo telefonema. Já havia vizinha. Depois de informada (um azar nunca vem só), a vizinha disse nunca ter enviado qualquer rótulo. Parecia brincadeira – Feitiço contra feiticeiro. “Quem costuma enviar são as minhas irmãs”. Até aqui nada de nomes. “Agora não sei se é da mais velha ou da mais nova”. CC pergunta: “Como Chama-se a mais Velha?” A vizinha lá foi dizendo o nome da mana (não recordo qual). Agora já havia um nome e CC afirma: “é mesmo essa” (caiu do céu). O CC estava a ser convincente. E o que dizer do público. Palmas, assobios, barulho. Magistral. Digno de filme de Hollywood.
Afinal, as expectativas foram superadas, e a coisa chegou a patamares não delineados. Era verão. A fábrica do tomate, a Socindal (acho que era assim), laborava nessa altura e comportava trabalhadores de Chança e Cunheira, entre outros. Claro que a rivalidade levava os Cunheirenses a se gabarem com tamanha sorte do destino.
Na Chança, no dia seguinte, já alguém tinha visto o carro, o dito carro, um Citroen BX de cor vermelha, passar para os lados da Cunheira.
Depois, foi assunto muito badalado durante muito tempo, até que, suponho, ficou esquecido.
Pelo menos até hoje. … um misto de culpabilidade e medo pairou nos tempos seguintes. Ainda, assim: “E tão Felizes que “nós” éramos”.
Por Repórter Z
Se eu participei nisto??? Não sei… não me lembro…
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