Tenho Saudades … das Festas da Chança. Vão dizer que sou louco. Que não estou bom da cabeça, etc., e que a Chança continua a ter Festas. Pois, … mas eu tenho saudades mesmo é das Festas de antigamente. Aquelas Festas que se realizavam no Ringue. E que enchiam o Largo do Rossio de pessoas. Algumas não entravam (por diversas razões) mas ficavam por ali sentadas nos bancos, nas paredes, nas escadas, em amena cavaqueira, ao som da música de baile e até mesmo da actuação dos artistas. Não os viam, é certo, mas ouviam as suas vozes ao vivo. Lá dentro, tantas vezes com a lotação mais que esgotada (ainda não havia ASAE), amontoavam-se algumas centenas de pessoas, por entre mesas e cadeiras, e até de pé, junto do balcão das bebidas, da quermesse, ou onde quer que houvesse um buraquinho de onde se avistasse o palco. Conseguíamos concorrer com festas de peso, como Ponte de Sôr ou Aldeia da Mata, que eram no mesmo dia. Nunca nos faltou público. Dos artistas, recordo que sempre vinham dos mais conceituados. Nomes como Carlos Paião, Armando Gama, Marco Paulo, Carlos do Carmo, Dino Meira, Lara Li, Ana, Martinho da Vila, Anita Guerreiro, Gabriel Cardoso, e tantos outros se poderiam enumerar. Um deles era quase certo todos os anos. Vinha de borla, e era sempre muito desejado. Não fosse ele um artista da terra. Refiro-me ao Júlio César, que aqui se iniciou no pisar dos palcos, e que sempre voltou por prazer. Durante muitos e muitos anos, as Festas da Chança traziam, anualmente, muita alegria e diversão ao centro da Aldeia. Para que tudo isto fosse possível, a comissão de festas, formada por um grupo de pessoas ligadas à Terra, por vezes apenas por uma pessoa (caso da Maria Gertrudes), levavam a cabo algumas actividades para angariar uma primeira base financeira. Bailes durante o ano e o peditório da colcha pelas ruas, porta a porta, asseguravam um pé-de-meia. Depois cerca de uma semana antes começava a grande azáfama, preparar o recinto. Para além da comissão de festas, muita gente se juntava para dar uma ajuda. Montar o palco, montar o bar, montar a barraquinha da quermesse, dispor mesas e cadeiras e, principalmente, a vedação. Era preciso erguer postes de pau de 4 em 4 / 5 em 5 metros e pregar-lhe os panos. Tantos buracos se tinham que abrir com picareta e alavancas de ferro. Depois colocava-se o poste e enchia-se o buraco com pedras e terra, tudo bem apertado pela alavanca. Que trabalhão. Ainda ajudei muitas vezes nestas tarefas. E tudo se fazia. Havia que fazer até ao último instante, mas tudo estava pronto a tempo e horas. Saliente-se que o Largo do Rossio era de terra batida. Hoje o pavimento do ringue é todo uniforme, dança-se com certeza melhor. Hoje o ringue tem uma mini bancada com duas ou três filas o que permite acolher de forma mais digna aqueles que antigamente se sentavam numa simples parede. Hoje o ringue tem, por trás da baliza Norte, uma plataforma fixa nivelada, em cimento, onde facilmente se podem colocar estrados de madeira para o palco, evitando, assim, o recuso a cavaletes de madeira ou a bidões metálicos, muito mais difíceis de nivelar e muito menos seguros. Hoje o ringue tem uma vedação completa em rede metálica. Tão fácil que é proceder à vedação do recinto. Hoje o largo do rossio é todo calcetado, tem mais bancos, mais zona verde. Está mais acolhedor. Não consigo perceber o porquê de fazer as Festas da Chança no campo de futebol, em terra batida, com tanto pó, longe do centro e num local sem qualquer beleza. A não ser pela razões que descrevi anteriormente (dar uso a estas instalações – campo de futebol, balneários, holofotes e afins). Não admira, pois, que a sua qualidade e afluência tenha vindo a diminuir ao longo dos últimos anos. Pessoalmente, não acho piada, nem razão de ser. E o ringue? Para que serve? Algum dia mandam fazer uma redoma de vidro à volta e transformam-no em peça de museu. Assim, é certo, não se estraga. Se temos algo bom e não serve para nada, para quê ter? E depois, se a pintura do chão se riscar, pinta-se outra vez. Saliente-se que foi, talvez, a primeira vez que a Junta de Freguesia gastou alguma verba com esse recinto. Ironia das ironias, tudo, ou quase tudo, do que lá estava foi oferecido pelas mais diversas comissões de festas, que para ali canalizavam, todo ou em parte, o lucro das mesmas. Até a mão-de-obra, na sua maioria, não era paga. Tudo, ou quase tudo, foi feito pela mão de alguns populares. Por favor, devolvam as Festa da Chança ao local onde sempre pertenceram. Ao local que, mais do que qualquer outro, pertence ao povo de Chança. Devolvam alegria ao Largo do Rossio. Que tristeza, nos tempos de hoje, e em dia de Festa, passar pelo largo do Rossio e não ver “viva alma”. Dói o coração. Antigamente não era assim. E tão Felizes que Nós éramos…
Saudades, … destas e de outras!!! E Vós? Não tendes Saudades?
Sou apenas um pchardeco. Daqueles que o São com orgulho…
Por repórter Z.
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